A produção de petróleo e gás no Rio Grande do Norte
atingiu, em dezembro de 2025, o seu patamar mais baixo nas últimas quatro
décadas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
De acordo com o levantamento da ANP, a produção
diária no RN em dezembro foi de 33 mil barris, a pior desde a década de 1980.
Em outubro, a média era de 36 mil barris por dia.
Há dez anos, segundo a ANP, a produção era quase o
dobro da atual.
Para o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RN), a
queda está diretamente ligada à mudança de perfil na exploração local. Com a
saída da Petrobras de
campos em terra e águas rasas, empresas privadas de menor porte assumiram as
operações.
"Essa produção foi tão baixa por que as três
grandes produtoras de petróleo no Rio Grande do Norte não estão fazendo os
investimentos necessários para aumentar a produção no nosso estado",
afirmou Marcos Brasil, presidente do Sindipetro-RN.
"Se houver investimento necessário para
produzir nesses 33 blocos que estão ofertados pela ANP, a gente pode aumentar
essa produção para 70, 80 mil barris por dia. E aí gerar entre 15 e 20 mil
empregos".
Uma das principais empresas do setor no estado
informou que, em janeiro, produziu cerca de 19 mil barris por dia e que tem
investido em tecnologia para reverter o declínio e que tem investido em
tecnologia para ampliar a produção.
O Rio Grande do Norte possui o que os especialistas
chamam de campos maduros - áreas que produzem há décadas e que, para continuar
operando, é necessário o uso de tecnologias mais caras e complexas.
Impacto na economia
O setor de petróleo e gás é a principal base da
economia do RN, respondendo por mais de 40% do PIB industrial do estado,
segundo a Federação das Indústrias (Fiern).
"É bom relembrar que caiu a produção e também
caiu o preço internacional de petróleo no final de 2025. E isso impacta
diretamente no caixa do governo estadual das prefeituras para produtoras,
adjacentes, Mossoró, Macau, Guamaré"",
explicou Jean-Paul Prates, chairman do Centro de Estratégias em Recursos
Naturais e Energia (Cerne).
"E o setor de petróleo também representa mais
ou menos a metade do PIB industrial do Rio Grande do Norte. Então perdas
acumuladas da ordem de 11,5% em 2025, que é um desempenho ruim para a indústria
como um todo, e que basicamente tem a ver com isso".
Municípios como Mossoró e Guamaré, onde o setor
movimenta o comércio e garante empregos, são os mais impactados.
O governo do Estado diz que até 2030 a previsão é de
um investimento de R$ 3 bilhões na área.
Para especialistas, um investimento maior na área
e a
descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na margem equatorial podem
auxiliar numa melhora no desempenho do estado no setor.
"O que nós podemos fazer? As empresas
continuarem com investimentos em busca de melhorar esse percentual de produção.
Para você ter ideia, têm postos que produzem 98% de água. Então sobra aí 2%, e
ainda é viável. Diferente do pré-sal, onde tem postos que produzem muito óleo.
E ao futuro entre 3 e 5 anos nós temos aí a margem equatorial que já começou a
ser explorada. E isso vai trazer mais produção de óleo ao nosso estado, aumento
de royaltie", falou Criste Jones, administrador na área do petróleo.

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