Adiantou pouco a tentativa de Lula de atrair os
evangélicos para o lado petista nas últimas semanas. O desfile da escola de
samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, com a ala “neoconservadores em
conserva”, causou forte reação e parece ter atingido, principalmente,
evangélicos e conservadores.
A expressão “família da lata” passou a dominar
publicações nas redes sociais como resposta ao desfile. Segundo reportagem da
CNN Brasil, a reação ganhou forma em uma trend em que parlamentares e
influenciadores de oposição publicam imagens, muitas feitas com ferramentas de
inteligência artificial, retratando famílias estampadas em latas de conserva.
Na ala evangélica da direita, aliados trataram de
amplificar o tom crítico ao enredo que homenageou Lula. O deboche contra
conservadores motivou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não apenas a criticar
o desfile nas redes sociais, mas também a anunciar uma nova ação do partido no
TSE, sob a alegação de uso de verba pública no custeio das alegorias. “Além dos
ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a
família”, publicou o parlamentar, citado na repercussão do caso.
O motivo da polêmica é uma ala do desfile batizada
de “neoconservadores em conserva”, em que a fantasia trazia uma grande lata
simbolizando a chamada família tradicional, com pai, mãe e filhos. A leitura
feita por oposicionistas é de que o trecho ridicularizou conservadores e grupos
religiosos, impulsionando a enxurrada de postagens com o tema, usada como
crítica direta ao PT e ao presidente.
A CNN Brasil registrou que congressistas da oposição
aderiram à tendência e que o episódio motivou reação institucional, com
acionamento da PGR por causa da ala. Em uma das publicações citadas, o senador
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, escreveu que “a esquerda
zomba da família” e que isso evidenciaria “a perda de sintonia com o povo que
trabalha, crê em Deus e educa seus filhos”.
Nos bastidores políticos, o caso passou a ser
interpretado como desgaste adicional na relação do PT com evangélicos e
conservadores, um segmento em que o partido já enfrenta resistência. Para
críticos do governo, o desfile e a encenação da “lata” ampliaram o afastamento
e reforçaram a percepção de ataque a valores familiares e religiosos, disputa
que vem sendo travada nas redes.
Com a repercussão, aliados e adversários passaram a
tratar a homenagem como um “tiro saiu pela culatra”. O desfile pensado para
exaltar a trajetória de Lula terminou convertendo uma ala específica em símbolo
de mobilização da direita online, que transformou a “família da lata” em meme,
palavra de ordem e instrumento de engajamento político.

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