terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Posts sobre a “família da lata” viralizam e reacendem debate sobre origem de vídeo e desinformação

 


Adiantou pouco a tentativa de Lula de atrair os evangélicos para o lado petista nas últimas semanas. O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, com a ala “neoconservadores em conserva”, causou forte reação e parece ter atingido, principalmente, evangélicos e conservadores.

A expressão “família da lata” passou a dominar publicações nas redes sociais como resposta ao desfile. Segundo reportagem da CNN Brasil, a reação ganhou forma em uma trend em que parlamentares e influenciadores de oposição publicam imagens, muitas feitas com ferramentas de inteligência artificial, retratando famílias estampadas em latas de conserva.

Na ala evangélica da direita, aliados trataram de amplificar o tom crítico ao enredo que homenageou Lula. O deboche contra conservadores motivou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não apenas a criticar o desfile nas redes sociais, mas também a anunciar uma nova ação do partido no TSE, sob a alegação de uso de verba pública no custeio das alegorias. “Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família”, publicou o parlamentar, citado na repercussão do caso.

O motivo da polêmica é uma ala do desfile batizada de “neoconservadores em conserva”, em que a fantasia trazia uma grande lata simbolizando a chamada família tradicional, com pai, mãe e filhos. A leitura feita por oposicionistas é de que o trecho ridicularizou conservadores e grupos religiosos, impulsionando a enxurrada de postagens com o tema, usada como crítica direta ao PT e ao presidente.

A CNN Brasil registrou que congressistas da oposição aderiram à tendência e que o episódio motivou reação institucional, com acionamento da PGR por causa da ala. Em uma das publicações citadas, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, escreveu que “a esquerda zomba da família” e que isso evidenciaria “a perda de sintonia com o povo que trabalha, crê em Deus e educa seus filhos”.

Nos bastidores políticos, o caso passou a ser interpretado como desgaste adicional na relação do PT com evangélicos e conservadores, um segmento em que o partido já enfrenta resistência. Para críticos do governo, o desfile e a encenação da “lata” ampliaram o afastamento e reforçaram a percepção de ataque a valores familiares e religiosos, disputa que vem sendo travada nas redes.

Com a repercussão, aliados e adversários passaram a tratar a homenagem como um “tiro saiu pela culatra”. O desfile pensado para exaltar a trajetória de Lula terminou convertendo uma ala específica em símbolo de mobilização da direita online, que transformou a “família da lata” em meme, palavra de ordem e instrumento de engajamento político.

 

 

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