A disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da
União entrou no radar da crise política em Brasília e pode romper um
acordo articulado nos bastidores da Câmara. O compromisso firmado em 2024
previa que o Partido dos Trabalhadores indicaria um nome para
substituir o ministro Aroldo Cedraz, mas a crescente polarização entre aliados
de Luiz Inácio Lula da Silva e do bolsonarismo passou a ameaçar o
entendimento.
O acerto teria sido costurado durante as negociações
que garantiram a eleição de Hugo Motta para o comando da Câmara. O
favorito do PT é o deputado Odair Cunha (PT-MG), considerado um nome moderado
dentro da sigla. Porém, a entrada de candidatos como Danilo Forte (União-CE) e
Hugo Leal (PSD-RJ) embaralhou o cenário e abriu espaço para uma disputa que
pode deixar o acordo inicial pelo caminho.
Nos bastidores, o argumento dos adversários é que a
indicação de um petista foi combinada sem aval das demais bancadas, o que teria
gerado insatisfação. Além disso, o clima eleitoral pesa: parlamentares avaliam
que o antipetismo pode fortalecer uma candidatura considerada “independente”,
especialmente com o possível apoio da bancada do PL, principal partido de
oposição na Casa.
Danilo Forte já se posicionou publicamente,
afirmando que sua candidatura busca defender a autonomia da Câmara e criticando
a concentração de indicações ligadas ao governo federal. Enquanto isso,
lideranças tentam evitar o lançamento de múltiplos candidatos contra o nome do
PT, já que a eleição ocorre em turno único e a divisão de votos pode acabar
favorecendo Odair Cunha.
Com previsão de anúncio da disputa após o Carnaval,
a eleição pode ocorrer ainda em março. O resultado será estratégico: o TCU é
responsável por fiscalizar gastos públicos e analisar as contas do presidente
da República, além de realizar auditorias no Congresso — o que transforma a
escolha do novo ministro em uma batalha política de peso em pleno ano
eleitoral.
Com informações do Estadão

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