quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Operação Mederi volta a ser assunto na mídia nacional com notícia sobre uso de menor de idade como “laranja”

 


O cenário político do Rio Grande do Norte voltou a ser destaque na mídia nacional nesta segunda-feira. O Blog de Fausto Macedo, do Estadão, trouxe informações da Polícia Federal (PF) que detalham como a rede de propinas investigada na Operação Mederi, que envolve o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao governo estadual, Allyson Bezerra (UB), utilizava métodos sofisticados para ocultar dinheiro público.

Segundo as investigações, o esquema de corrupção e fraude em licitações na área da Saúde utilizou a conta bancária de uma estudante na época menor de idade para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. A jovem é filha dos empresários Oseas Monthalggan e Roberta Praxedes da Costa, apontados como operadores da rede.

A conta da estudante teria movimentado R$ 427 mil em apenas um ano, logo após contratos firmados com o município de Serra do Mel. Para a PF, a movimentação é incompatível com a capacidade financeira da jovem, servindo apenas para armazenar e distribuir o “dinheiro da corrupção”.

A “Matemática de Mossoró”

O escândalo ganhou trações nacionais com a divulgação de diálogos interceptados que revelam a chamada “Matemática de Mossoró”. Em conversas de maio de 2025, o empresário Oseas Monthalggan detalha como funcionava o rateio das propinas:

  • Percentuais definidos: Do valor de uma ordem de compra, eram retirados percentuais para os agentes públicos antes mesmo da entrega dos produtos.
  • Citações nominais: Os diálogos indicam que o prefeito Allyson Bezerra e o vice-prefeito Marcos Bezerra (PSD) estariam no “topo do esquema”, recebendo valores que chegariam a 15% dos contratos.
  • Empresa Central: A companhia Dismed é apontada como a peça central que operacionalizava os pagamentos ilícitos em Mossoró e outras cinco cidades potiguares.

Desdobramentos e Defesa

A Operação Mederi, deflagrada originalmente no final de janeiro, estima um rombo de R$ 13,5 milhões aos cofres públicos. O desembargador Rogério Fialho Moreira, do TRF5, destacou que as práticas ilícitas eram encabeçadas pelo “alto escalão” das gestões municipais.

Allyson Bezerra afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas levantadas pela Polícia Federal.

A investigação continua a buscar contatos com as defesas dos empresários e do vice-prefeito citados. O caso coloca pressão sobre a pré-candidatura de Bezerra ao governo do estado, dada a gravidade das acusações de desvio de recursos da Saúde.

Blog do Barreto

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Consignados estão bloqueados há 7 meses por falta de repasse do Estado, denunciam servidores

  Servidores do Governo do Rio Grande do Norte estão há sete meses sem poder contratar empréstimos consignados junto ao Banco do Brasil, de ...