Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal)
acreditam que foram gravados clandestinamente por Dias Toffoli na sessão
secreta que, na quinta (12), decidiu pela saída dele da relatoria do processo
do Banco Master. A informação é da Folha de São Paulo.
Os diálogos vieram à tona em reportagem do site
Poder360. O texto reproduz as palavras dos ministros de forma literal e
precisa.
Magistrados já enviaram inclusive a reportagem a
Toffoli mostrando que a gravação ocorreu.
O magistrado negou à coluna ter feito qualquer
registro. "Não gravei e não relatei nada para ninguém", afirma ele.
Em seguinda, levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de
informática pode ter feito a gravação.
Magistrados afirmaram à coluna que a situação é sem
precedentes, de perplexidade e desconforto. Disseram ainda que os diálogos
selecionados por quem fez a gravação trazem apenas trechos favoráveis a Toffoli
e não mostram a complexidade do que foi discutido na sessão.
A reportagem começa dizendo que a reunião "teve
um forte tom político e uma busca de autopreservação por parte de todos os
ministros".
Diz ainda que muitos magistrados apoiavam Toffoli.
E publica falas literais dos ministros.
Gilmar Mendes, por exemplo, disse na reunião, segund
a reportagem: "Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro
Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no
STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar".
Em seguida, coloca uma fala de Cármen Lúcia que
mostraria que ela estava na reunião com a intenção de sacrificar Toffoli para
recuperar a imagem do STF. A fala é a seguinte: "Todo taxista que eu pego
fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo". Disse ainda que,
apesar de ter "confiança" em Toffoli, era necessário "pensar na
institucionalidade".
Luiz Fux, de acordo com a reportagem, disse: "O ministro Toffoli para mim
tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão
discutindo".
Moraes não teve falas literais publicadas, mas
aparece como um duro crítico da Polícia Federal, que entregou ao presidente da
Corte, Edson Fachin, o relatório que culminou na saída de Toffoli do cargo.
Nunes Marques aparece dizendo: "Para mim, isso
é um nada jurídico". Em seguida, critica Fachin por querer votar a
suspeição de Toffoli. Sua frase, publicada de forma literal, é a seguinte:
"Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser
comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o
Poder Judiciário do Brasil. O sr. [Fachin] não pode colocar em votação a
arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma
proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele
diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter
maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento,
pois do mérito eu não tenho dúvida".
André Mendonça aparece afirmando: "Tem uma questão sobre o que é descrito
como relação íntima do ministro Toffoli". Em seguida: "Isso não
existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6
minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli
tem fé pública. Então, isso está descartado".
O ministro Cristiano Zanin afirma: ""Sou há 1 ano e meio relator de
um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a
Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas
200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares? Isso aqui tudo é
nulo".
Flávio Dino também critica a PF: "Essas 200 páginas [de relatório da PF]
para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise
hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero
estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta
pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria
ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência".
Apesar de todas essas falas, os magistrados concluíram que o melhor para o STF
era o afastamento de Toffoli.
A suspeita de que ele gravou os próprios colegas tem
o condão de isolar o magistrado na Corte, segundo um de seus integrantes, já
que houve uma quebra de confiança.

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