Uma disputa interna no Primeiro Comando da
Capital levou à proibição do chamado “delivery” de drogas em Heliópolis,
na zona sul de São Paulo. A modalidade, criada para facilitar a venda direta a
usuários, passou a gerar insatisfação entre traficantes que controlam as
biqueiras — pontos fixos de comercialização de entorpecentes.
Mensagens apreendidas pela Polícia Civil do
Estado de São Paulo mostram integrantes da facção reclamando que o novo
modelo prejudicava quem “lutou” para conquistar território nas comunidades. O
comunicado interno determinava que a venda deveria permanecer nas “lojas”
cadastradas, respeitando a hierarquia e os espaços já dominados.
A investigação cita Michael da Silva, conhecido como
Neymar, apontado como liderança local ligada ao alto escalão da facção. O
inquérito também menciona Everton de Brito Nemésio, o Delinho, descrito como
integrante da cúpula e atualmente foragido. Neymar chegou a ser preso
preventivamente, segundo registros processuais.
De acordo com os relatórios, o delivery ampliava o
alcance das vendas e reduzia a circulação de usuários nas biqueiras, afetando o
comércio presencial. A polícia aponta que a operação contava com organização
logística própria, incluindo catálogo digital enviado a clientes por aplicativo
de mensagens.
Para os investigadores, o caso revela o nível de
estrutura e divisão territorial dentro da organização criminosa. O que começou
como tentativa de modernizar o esquema acabou provocando conflito econômico
interno e levou à intervenção da própria facção para manter o controle
tradicional das vendas.
Com informações do Metrópoles

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