Um ex-funcionário do Banco Master e dirigente da
Tirreno, empresa usada pelo banco para vender R$ 12,2 bilhões em créditos ao
Banco de Brasília (BRB), é investigado por suspeita de envolvimento em um
esquema de lavagem de dinheiro por meio de bets ilegais.
André Felipe de Oliveira Seixas Maia, de 54 anos,
atuava como sócio principal da intermediadora de pagamentos Silium — apontada
pela Polícia Civil de São Paulo como peça central de uma organização criminosa
ligada a jogos de azar ilegais. A existência do inquérito, que corre sob
sigilo, foi revelada pelo SBT News e confirmada pelo Estadão.
Dias após policiais do Deic tentarem intimar
representantes da Silium, André Maia e outros três sócios deixaram formalmente
a empresa, que passou a se chamar Nuoro Pay. Para a polícia, a mudança indica
tentativa de ocultar a estrutura de controle da companhia diante do avanço das
investigações.
Paralelamente, Maia mantinha vínculos com a Tirreno,
empresa que cedeu cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos ao Banco Master entre
janeiro e maio de 2025. Esses ativos foram revendidos ao BRB por R$ 12,2
bilhões. A Polícia Federal considera os créditos inexistentes e aponta a
Tirreno como empresa de fachada. Maia também é suspeito de ter fornecido
documentos falsos ao Banco Central do Brasil.
No campo das bets ilegais, a investigação aponta que
a Silium/Nuoro Pay administrava contas bancárias usadas para receber apostas
por meio de empresas de fachada, dificultando o rastreamento dos valores. O
esquema utilizava “contas-bolsão”, modelo já identificado em apurações
envolvendo o Primeiro Comando da Capital.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, há
indícios de uma estrutura sofisticada, com atuação transnacional, voltada a
jogos de azar ilegais, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.
A defesa de André Maia nega qualquer irregularidade
e afirma que sua inocência será comprovada ao longo da investigação, ainda em
andamento.

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