A economia brasileira começa 2026 em ritmo mais
fraco, com desaceleração da atividade e inflação ainda resistente. A combinação
deve levar o PIB a crescer cerca de 2,3%, o menor avanço desde 2020, enquanto a
inflação em 12 meses subiu para 4,44% em janeiro, acima do centro da meta.
O cenário é de contradição: juros elevados já
esfriam consumo, crédito e produção, mas os preços não cedem na mesma
velocidade. O IPCA ficou em 0,33% em janeiro e as projeções indicam aceleração
em fevereiro, o que aumenta a cautela do Copom sobre o início do ciclo de
cortes da Selic em março.
Economistas apontam que a desaceleração se
intensificou no segundo semestre de 2025, refletindo o aperto monetário mais
forte em duas décadas. Comércio, indústria e serviços perderam fôlego, com
crescimento menor e limitações estruturais, como baixa produtividade. Ao mesmo
tempo, a inflação de serviços segue pressionada, mantendo as expectativas
elevadas.
O mercado se divide sobre a intensidade do primeiro
corte de juros: parte vê espaço para redução de 0,50 ponto percentual, enquanto
outra aposta em movimento mais contido, de 0,25 ponto. O desafio do Banco
Central do Brasil será calibrar a política monetária diante de uma economia que
desacelera, mas ainda convive com inflação acima do desejado.

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