O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias
Toffoli detém sob sigilo - e sob controle - as informações mais sensíveis da
República: o inquérito referente ao Banco Master. Na prática, isso significa
que o órgão regulador do sistema financeiro, o Banco Central, está impedido de
prestar informações ao País, já que também está submetido a essa lei do silêncio.
Documentos, atas, notificações, trocas de e-mails,
mas principalmente entrevistas estão proibidas de serem prestadas à imprensa,
e, com isso, as defesas de todos os investigados conseguem igualar o jogo e
espalhar versões que tentam colocar o investigador em papel de investigado. O
BC tem muito a esclarecer, mas está impedido - o que só ajuda a tornar o caso
mais obscuro.
O depoimento do diretor de fiscalização Ailton de
Aquino foi a única oportunidade que o Banco Central teve de se expressar até
agora, e o Estadão revelou que havia intenções por trás de cada pergunta
enviada por Toffoli à delegada Janaína Palazzo, com comentários por escrito de
que buscava encontrar “omissões e contradições” nas falas do chefe pela área de
fiscalização.
Aquino tomou um chá de cadeira de mais de dez horas
no STF antes de prestar depoimento e foi impedido de falar por
videoconferência. Falou por último, depois de a PF ter escutado os dois
investigados do caso, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo
Henrique Costa. Naquela situação, o representante do órgão regulador falava
como testemunha, mas era tratado como se precisasse prestar contas das suas
ações.
Em um dos momentos mais constrangedores dos
depoimentos, Palazzo é cobrada pelo juiz auxiliar Carlos Vieira von Adamek, do
gabinete de Toffoli, para que fizesse as perguntas do magistrado após a
primeira audiência, com Vorcaro.
Espantada, Palazzo explica que já havia abordado
todos os temas, e questiona se Adamek queria que tudo fosse refeito, lendo palavra
por palavra; ele apenas balança a cabeça com um “sim”. Não basta impor sigilo
sobre o caso, é preciso deixar a delegada que cuida do inquérito em posição
desconfortável para fazer o seu trabalho à frente dos investigados.
O Master era um banco de R$ 75 bilhões de ativos, um
peixe pequeno na Faria Lima, mas que usava os recursos captados de pequenos
investidores pessoas físicas para pagar consultorias, escritórios de advocacia
e patrocinar eventos com autoridades do primeiro escalão de Brasília. Só isso
explica o interesse do STF no caso.
Com o sigilo, Toffoli impede o País de ter acesso
aos fatos e o Banco Central de dar explicações sobre o caso.
Alvaro Gribel - Estadão

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