O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho
(PL-RN), divulgou nota nesta segunda-feira (16) criticando o desfile da escola
de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva durante o Carnaval. No texto, o parlamentar afirma que a apresentação
teria transformado a festa em “palanque político” e classifica o episódio como
uma afronta à ética e ao equilíbrio democrático.
Na nota, Marinho sustenta que a instrumentalização
de um desfile — que, segundo ele, deveria ser espaço de manifestação artística
— para promover uma autoridade pública com “nítido viés eleitoral” ultrapassa
os limites do razoável. O senador argumenta que, ao utilizar um espetáculo de
alcance nacional para exaltação política de quem está no exercício do poder,
cria-se um desequilíbrio na disputa democrática.
“Se qualquer outro agente político promovesse ato
semelhante, a reação institucional seria imediata. A lei não pode ter
destinatário escolhido”, diz o texto.
O parlamentar afirma ainda que não aceitará a
“normalização do uso indireto de eventos culturais de grande projeção como
instrumento de promoção pessoal e eleitoral”. Segundo ele, serão adotadas
medidas judiciais cabíveis, com a provocação da Justiça Eleitoral, para apurar
eventual abuso de poder político e uso indevido de estruturas públicas.
Marinho defende que, caso sejam constatadas
irregularidades, sejam aplicadas as sanções previstas na legislação eleitoral,
em respeito ao princípio da igualdade de condições entre candidatos.
O desfile que motivou a manifestação do senador
ocorreu na Marquês de Sapucaí e foi apresentado pela Acadêmicos de Niterói, que
levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
destacando sua trajetória pessoal e política. A apresentação gerou repercussão
nacional e dividiu opiniões, reacendendo o debate sobre os limites entre
manifestação artística e promoção de autoridades públicas em contexto
pré-eleitoral.
Confira a nota na íntegra:
“NOTA PÚBLICA
O desfile de escola de samba
transformado em palanque político a favor do Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva ultrapassa todos os limites do razoável.
Instrumentalizar um desfile — que
deveria ser espaço de manifestação artística — para
promover autoridade pública, com nítido viés eleitoral, afronta a ética, o
equilíbrio democrático e o princípio da isonomia.
Quando um espetáculo de alcance nacional
é utilizado para exaltação política de quem está no exercício do poder, cria-se
evidente desequilíbrio na disputa democrática. Se qualquer outro agente
político promovesse ato semelhante, a reação institucional seria imediata. A
lei não pode ter destinatário escolhido.
Não aceitaremos a normalização do uso
indireto de eventos culturais de grande projeção como instrumento de promoção
pessoal e eleitoral. Adotaremos todas as medidas judiciais cabíveis, com a
provocação da Justiça Eleitoral, para que se apure eventual abuso de poder
político e uso indevido de estruturas que deveriam servir a todos os
brasileiros.
Pelo bem da democracia e em respeito ao
princípio da igualdade de condições entre candidatos, esperamos que,
constatadas irregularidades, sejam aplicadas as sanções previstas na
legislação.
Brasília, 16 de fevereiro de 2026.“

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