A investigação da Polícia Federal que embasou a
Operação Sem Desconto, deflagrada em abril contra o esquema que desviou mais de
R$ 6 bilhões em descontos de aposentadorias, mostrou que familiares de lobistas
e empresários participaram de uma rede de empresas montadas para ocultar a
origem de recursos.
Entre os investigados está Romeu Carvalho Antunes,
filho de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, pela
influência que exercia junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De
acordo com a investigação, entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, a renda
de Romeu saltou, em 60 dias, de R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil, valor 63 vezes
maior.
O aumento nos rendimentos coincide com o período em
que Romeu se tornou sócio das empresas do pai. Antes, ele trabalhava como
programador, segundo a investigação.
“Não obstante a movimentação milionária das empresas
que participa, verifica-se que o último vínculo empregatício de Romeu Carvalho
foi como programador de sistemas na empresa Picpay Instituição de Pagamentos,
de 18/07/2022 a 19/09/2023, período anterior à sua entrada nas sociedades
juntamente com seu pai”, diz a PF.
Segundo registros no governo federal, Romeu é sócio
direto de ao menos quatro empresas do pai e ainda tem participação indireta em
outros três negócios do Careca, por meio de outros CNPJs, dos quais Romeu
consta como um dos sócios.
“Todas as empresas supracitadas cuja sociedade Romeu
Carvalho integra foram utilizadas para envio de valores a pessoas físicas e
jurídicas relacionadas a servidores do INSS”, afirma a PF em outro trecho do
relatório da Operação Sem Desconto.
Romeu foi alvo de busca e apreensão. Sob posse dele,
foi encontrada uma frota milionária de seis carros e uma motocicleta, entre
eles um Porsche e dois veículos da marca BMW. A PF também afirma que Romeu
ficaria responsável por um Call Center de Antonio Antunes, caso o lobista
conseguisse consumar um plano de fuga para os Estados Unidos.
Nesta semana, Romeu Carvalho Antunes foi convocado
para prestar esclarecimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
que apura o escândalo do INSS.
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em
uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses
depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de
mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano,
enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas
filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de
inquérito pela PF e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União
(CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação
que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou
nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Metrópoles

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