Gleisi Hoffmann trocou o comando do PT, onde tinha o
papel de ser mais petista do que nunca, pelo posto de ministra das Relações
Institucionais do governo Lula, um cargo para políticos que pensam antes de
agir.
Nesse novo papel, a chanceler de Lula no
mundo político decidiu sair atirando nas redes sociais contra quatro
governadores de quatro partidos diferentes.
A chefe da Secretaria de Relações Institucionais da
Presidência da República apontou que um relatório do Tesouro mostrou que a
União pagou, em fevereiro, 854 milhões de reais de “dívidas que não foram
honradas” pelo governo de Minas Gerais, 320 milhões do governo do Rio de
Janeiro, 76 milhões de Goiás e 73 milhões do Rio Grande do Sul.
“E ninguém ouviu, da parte dos governadores desses
quatro grandes estados, uma palavra de agradecimento ao presidente Lula nem de
esclarecimento à população. Ao contrário, eles estão entre os que
mais atacam o presidente, fazendo oposição sistemática a quem os socorre
na hora mais difícil”, escreveu Gleisi.
Como não poderia ser diferente, a resposta de
mandatários logo veio — e de forma constrangedora para a petista — na forma de
ironia, com o governador gaúcho, Eduardo Leite, dando conselhos sobre como uma
ministra deveria se portar no papel de Gleisi.
“A pouca habilidade política não surpreende, mas o
desconhecimento dela sobre os assuntos, sim. A manifestação da ministra foi
totalmente despropositada. Como ministra, deveria prezar pela construção
conjunta de soluções para o país, e não atacar e ofender governadores. (…) Ela
demonstra desconhecimento ao afirmar que o presidente Lula fez pagamentos
quando, na verdade, há um contrato firmado com a União para que esses
pagamentos sejam honrados”, disse Leite.
Como chefe da articulação de Lula, Gleisi vai
precisar dialogar com líderes de todos os partidos para aprovar matérias de
interesse do governo e do país, como a proposta de isenção do Imposto de Renda
para quem ganha até 5.000 reais, por exemplo. Como a petista fará para abrir
portas com União Brasil, Novo, PL e PSDB depois de atacar governadores dessas
siglas gratuitamente mandatários dessas siglas nas redes?
A oposição a Lula já mostrou, em outras discussões
no Parlamento, que sabe separar o embate político ideológico na hora de votar
matérias econômicas de interesse do país. Sair criando conflitos nas redes,
além de dar argumentos aos políticos para se afastarem do Planalto, constrange
o próprio presidente da República, que vem pregando um discurso de união
federativa em eventos oficiais, em que convida governadores — mesmo os de
oposição — para o palanque.
“Foi uma recaída. Não se deixa de ser presidente do
PT da noite para o dia, não é mesmo? A Gleisi deve ter achado que ainda tinha
espaço para esse tipo de coisa. Lamentável”, diz um auxiliar de Lula.
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