terça-feira, 19 de março de 2024

Alimentos têm alta e consumidores buscam alternativas

 


Cláudio Oliveira
Repórter

Quando a dona de casa Verúcia Nascimento vai ao mercado, não se trata do simples ato de fazer as compras de casa. Ela, na verdade, está driblando a alta dos preços dos produtos, alguns destes, que subiram mais que o dobro da inflação este ano. “Sempre aumenta. Então, eu venho quando vejo que tem promoção, fico observando e, quando anunciam, faço a lista apenas daquilo que devo aproveitar porque os preços de alguns alimentos realmente estão muito altos”, conta ela. Em janeiro e fevereiro, o custo da comida em casa subiu 2,95%, contra 1,25% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o IBGE. O IPCA é o índice oficial de inflação do País.

A estratégia adotada pela dona de casa é recomendada para quem deseja aliviar o impacto da inflação de alguns gêneros alimentícios. Itens que são a base da dieta brasileira, como os feijões (carioca e preto) e arroz, subiram acima dos 10%. Mas é nos alimentos perecíveis que os consumidores estão se assustando. “É surpreendente um quilo de cebola por R$ 8, quando eu estava comprando por até R$ 4. Daí a gente acaba tendo que substituir por produtos menos saudáveis pra dar gosto a comida, como os temperos completos, por exemplo”, relata Verúcia Nascimento.

Além da cebola, em fevereiro, a alta de preços também foi puxada por batata-inglesa, frutas, arroz e leite longa vida. No ano, o preço da batata-inglesa já subiu 38,24 e da cenoura, 56,99%. Ao divulgar os dados da inflação de fevereiro, André Almeida, gerente da pesquisa do IBGE, explicou que os preços dos alimentos, principalmente in natura, têm sido impactados pelo clima desde o fim do ano passado. O fenômeno El Niño afetou colheita e os preços vêm, disparando desde outubro do ano passado. Já há uma desaceleração das altas, mas ainda assim os alimentos têm ficado mais caros.

O economista Zivanilson Silva, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que os fatores climáticos podem provocar altas sazonais em alguns itens. “A cebola, por exemplo, as pessoas reclamam muito porque é um produto que até certo tempo tinha uma oferta bem mais ampla, mas agora ela está tendo restrições por questões climatéricas. Então é quase que sazonal o aumento da cebola, diz. Ele destaca ainda que a estratégia de pesquisar e ficar atento às promoções funcionam na hora de economizar. Outra forma, é substituir os itens que aumentara de valor.

“Seria ideal olhar sempre para essa possibilidade de criar componentes que possam substituir aquilo que ele costumeiramente adquire, atendendo ao seu paladar, atendendo as suas necessidades básicas. No caso da batata, pode pensar na macaxeira. Mas também é uma questão de paladar. O feijão, pode-se pensar no feijão de bico e assim por diante”, sugere o economista.

Apesar da alta recente, o aumento nos preços dos alimentos ainda está distante do pico de 17,5% em 12 meses alcançado em julho de 2022. Ainda assim, a aposentada Josefa Brito, diz que, se não prestar atenção, acaba estourando o orçamento do mês, visto que, com as altas, não consegue se programar.

“Eu digo que todo dia sobe porque sempre que venho o preço está diferente. Esse mês exageramos porque não prestamos atenção. É engraçado como tudo sobe, menos o salário que quando aumenta a gente nem percebe porque o dinheiro continua não dando para levar tudo da feira”, reclama a idosa.

Cesta básica
De acordo com a pesquisa mensal da cesta básica de alimentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Natal teve em fevereiro o quarto menor custo entre as 17 cidades pesquisadas, ficando em R$ 579,31. Contudo, o valor representa aumento de 0,63% em relação a janeiro.

Ante fevereiro de 2023, a cesta reduziu 7,48% e acumulou alta de 4,18% nos dois primeiros meses deste ano.
Entre janeiro e fevereiro de 2024, metade dos doze produtos da cesta básica tiveram aumento nos preços médios: arroz agulhinha (9,44%), tomate (6,02%), banana (5,49%), feijão carioca (2,87%), manteiga (2,41%) e açúcar refinado (0,22%). Nos demais, houve redução: farinha de mandioca (-3,69%), carne bovina de primeira (-3,24%), leite integral UHT (-1,19%), pão francês (-0,99%), óleo de soja (-0,66%) e café em pó (-0,10%). No mês passado, o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.996,36 ou 4,95 vezes o mínimo reajustado para R$ 1.412,00.

 

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