Felipe Salustino
Repórter
Com previsão de receber R$ 3 bilhões em
investimentos até 2026, o mercado da construção civil em Natal começa 2024 com
bons números, graças aos resultados que o segmento vem alcançando quase dois
anos após a sanção do novo Plano Diretor (PDN). Desde a entrada em vigor das
regras atuais de prescrição urbanística, a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente e Urbanismo (Semurb) emitiu 52 alvarás, com estimativa de
investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão. Segundo a pasta, há quase 30 outros
projetos em processo de licenciamento. As zonas Leste e Sul seguem como as mais
requisitadas em razão da disponibilidade de áreas, conforme o Sindicato da
Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN).
O secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal,
Thiago Mesquita, afirma que os produtos são, principalmente, aqueles voltados
ao uso multifamiliar, mas equipamentos voltados ao setor turístico, como hotéis
e restaurantes, também têm se destacado entre os empreendimentos. Um shopping
center de menor porte já teve o alvará emitido para a construção na rua São
José com Jaguarari, na zona Sul da cidade. Para o secretário, três fatores
justificam o cenário atual. Além do novo PDN, a celeridade e as condições de
transparência da pasta, segundo ele, contribuem para o bom desempenho.
“O atual regramento permitiu investimentos nas áreas
adensáveis com infraestrutura para recebê-los. A celeridade da Semurb
desburocratizou os procedimentos de licença ambiental e urbanística, haja vista
que nós somos o quinto município no Brasil que mais dispensa licenciamento, ou
seja, o processo é autodeclaratório para 460 atividades. E temos, ainda, as
condições que estamos criando de transparência. A Semurb tem uma plataforma onde
o empreendedor, de qualquer lugar, consegue saber todas as regras necessárias
com apenas um clique, em 30 segundos”, pontua.
“Essa facilitação acaba favorecendo a transparência
no processo e é benéfico para o investidor, porque ele já vem direcionado para
onde quer se instalar, com a segurança proporcionada pelos dados oficiais da
Semurb”, complementa o secretário.
Thiago Mesquita ressalta que, dos 52 alvarás
emitidos, 16 são de projetos para os bairros de Petrópolis, Tirol e Cidade
Alta. “Isso significa que esses empreendedores estão aptos a construir.
Realmente o PDN tem transformado Natal em uma grande possibilidade de
investimentos”, afirma o gestor. Para Francisco Vasconcelos, vice-presidente de
mercado imobiliário do Sinduscon-RN, o número de alvarás emitidos é bastante
significativo, mas há desafios, na avaliação dele.
“Isso mostra que o novo plano diretor destravou o
mercado imobiliário, gerando mais interesse pelas empresas de investimento em
novos projetos. O maior desafio, além de identificar quais as tipologias de
imóveis que deverão ser os mais procurados para atender à demanda, é a redução
da taxa de juros dos financiamentos”, diz.
Vasconcelos ressalta que os juros estão cerca de 40%
mais altos do que as taxas praticadas alguns anos atrás. “Havendo uma redução
de taxas, se incorpora ao mercado uma maior quantidade de demanda que hoje não
teria condições de adquirir um imóvel”, destaca. Sobre as áreas mais procuradas
para os investimentos na cidade, o vice-presidente de mercado imobiliário do
Sinduscon diz acreditar que elas estão relacionadas a regiões com maior
disponibilidade, bem como àquelas com melhor infraestrutura.
“Mas já devem estar sendo desenvolvidos outros
projetos para todas as áreas da cidade. O novo Plano Diretor permitiu que
locais onde anteriormente existiam alguma restrição, passassem a ter melhores
coeficientes de construção. Isso irá fazer que venham a existir novos projetos
nessas áreas”, ressalta Francisco Vasconcelos.
Revisão põe Natal “nos trilhos do
desenvolvimento”
Para Aldo Clemente, presidente da Comissão Especial
do Plano Diretor na Câmara Municipal de Natal, a revisão colocou a capital
potiguar de volta “nos trilhos do desenvolvimento”. O vereador destaca que a
aprovação do novo PDN contou com mais de 11 audiências na Câmara e reuniu
diversos segmentos, como o Ministério Público, entidades ligadas ao processo e
a sociedade. “O atual PDN é o maior instrumento urbanístico para o crescimento
ordenado da cidade”, afirmou Aldo Clemente.
Ele pontua que os dados já consolidados bem como as
projeções reforçam a própria afirmativa. “Toda uma cadeia vai se transformando
e os investimentos já geram emprego e renda”, diz. O vereador indica para a
necessidade de regulamentações e algumas mudanças na legislação, para que haja
conformidade às novas regras do Plano. É o caso das chamadas Zonas de Proteção
Ambiental (ZPAs). “Será preciso fazer alterações, porque existem alguns
conflitos de ordem específica em relação ao Plano vigente”, sublinha.
ZPA
O
vereador destaca, no entanto, que este é um processo natural. “Cada ZPA tem uma
legislação específica e como o Plano Diretor é uma lei única, houve algumas
incompatibilidades pontuais que terão de ser alteradas. Isso é perfeitamente
natural”, relata. Além disso, levar o Plano diretor para algumas regiões da
cidade, como os bairros históricos, será um desafio, na avaliação de Aldo
Clemente.
“Pegar o PDN e colocar em locais como a Ribeira e a
Cidade Alta, acaba sendo bastante desafiador. É preciso revitalizar essas
áreas, mas não se faz isso se não tiver uma renúncia fiscal, com isenções, para
que novos empreendimentos se instalem nessas regiões. A Câmara pode contribuir,
mas é preciso discussões na Casa, bem como atuação da Prefeitura, que é quem
faz a renúncia”, analisa Clemente ao destacar a atuação da CMN na aprovação do
Plano.
“O papel da Câmara foi importantíssimo. Vários
parlamentares participaram das discussões e audiências públicas que ocorreram
no Plenário e apresentaram – e até retiraram emendas – para melhorar o Plano,
sempre ouvindo as entidades e setores interessados. O papel da Casa foi, além
de votar, discutir e aperfeiçoar o PDN”, destaca.
Bate-Papo: Álvaro Dias/ Prefeito de
Natal: “A procura está acima do que imaginávamos”
A Semurb informou que já emitiu 52
alvarás, com estimativa de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, e tem quase
30 outros projetos em processo de licenciamento, com previsão de receber R$ 3
bilhões em investimentos até 2026. Como o senhor avalia a expansão em Natal com
o novo PDN?
Esses números mostram que Natal estava travada pela antiga legislação. A cidade
perdeu 300 mil habitantes nos últimos anos, tanto assim que o Censo [Demográfico,
do IBGE] mostrou uma redução em número absoluto de habitantes de Natal. Sem
falar em tantos outros que foram morar em municípios vizinhos porque a capital
não tinha novas ofertas de imóveis. O atual Plano Diretor está atraindo
investimentos a olhos vistos, o que significa mais empregos e renda para os
natalenses.
Esse ritmo supera as expectativas da
Prefeitura ou está dentro do esperado?
Já
sabíamos dessa demanda reprimida, mas confesso que a procura está acima do que
imaginávamos.
Os avanços mostram que o novo Plano
Diretor destravou o mercado imobiliário?
Ainda
há um grande espaço para novos investidores e podemos sempre aperfeiçoar a
legislação para que surjam outros empreendimentos, especialmente na zona Norte,
onde esperamos que a Caern amplie os investimentos, possibilitando novas
construções e maior adensamento daquela área.
O que ainda falta mudar para melhorar
ainda mais a questão urbanística em Natal?
Espero
aprovar ainda este ano, na Câmara Municipal, o Código de Obras, que vai deixar
Natal com uma legislação urbanística atualizada e moderna para que a cidade
volte a crescer e se desenvolver.

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