A deputada estadual,
Cristiane Dantas, fará audiência pública na próxima segunda-feira (14) para
debater a dependência tecnológica: impactos na infância e adolescência. O
debate será marcado pela realização de palestras das psicólogas Débora Sampaio
e Eveline Ribeiro, e do especialista em segurança da informação, Clézio
Azevedo. O debate acontecerá no auditório deputado Cortez Pereira, a partir das
14h.
A audiência surge da
preocupação acerca da dependência tecnológica que é uma realidade cada vez mais
comum na sociedade e afeta, especialmente, crianças e adolescentes, tendo sido
potencializada durante a pandemia da Covid-19.
“O uso descontrolado de
tecnologias, como as redes sociais, os sites de relacionamentos, as ferramentas
de busca, os serviços de streaming, as compras on-line, os jogos eletrônicos e
outras ferramentas facilmente disponíveis, têm sido responsáveis pelo
surgimento ou agravamento de doenças mentais como depressão, ansiedade,
síndrome do pânico, distúrbios alimentares e do sono, além de físicas, como a
obesidade. É preciso ter um olhar de política pública sobre essa realidade”,
diz Cristiane Dantas.
A parlamentar ainda
acrescenta que, além de doenças mentais e físicas, a dependência tecnológica
oferece riscos à segurança das crianças e adolescentes. “Ao frequentarem
aplicativos e ambientes virtuais que os pais muitas vezes desconhecem, as
crianças e adolescentes são potenciais vítimas de cyberbullying, estupro
virtual e pornografia infantil”, complementa.
O déficit de atenção e
a queda no rendimento escolar também são outros aspectos a serem observados e
debatidos pelos especialistas. “Apresentei um projeto de lei que visa a
educação e cidadania digital, com foco na capacitação da comunidade escolar
para lidar com o uso de tecnologias e conhecer seus riscos”, acrescenta a
parlamentar.
Além dos palestrantes,
foram convidados para as contribuições da audiência pública, representantes da
Secretaria Estadual de Educação, Secretarias municipais de educação, escolas
públicas e privadas, Promotorias da Infância e Juventude, médicos e Delegado especializado
em crimes virtuais.
Recomendação
Um relatório publicado
pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência Cultura), no
fim de julho, propõe a proibição dos smartphones nas escolas e alerta para o
uso excessivo de ferramentas tecnológicas na educação de crianças e jovens.
Segundo a Organização, há evidências de que o uso excessivo de celulares está
relacionado à redução do desempenho escolar. Alguns países como a França,
Holanda, Bélgica, Espanha e Reino Unido já adotaram a proibição do uso do
celular no ambiente escolar.
A Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios, do IBGE, apontou que mais de 155 milhões de brasileiros
maiores de 10 anos possuem celular para uso pessoal. O número representava
84,4% da população a partir dessa idade em 2021. Outro estudo, divulgado pela
plataforma de mídia Digital Turbine, mostrou que 20% dos brasileiros não ficam
mais de 30 minutos longe do celular.

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