Tribuna do Norte
A Associação do Distrito Industrial de São Gonçalo
do Amarante deverá acionar a Justiça contra a invasão de um terreno localizado
na região. De acordo com Edilson Moura Pereira, dono de uma fábrica na
localidade, a intenção é articular a Associação, por meio da escolha de uma
nova presidência, para a adoção da medida. Segundo ele, o receio é de que haja
problemas com os invasores por causa da logística de trabalho da fábrica, que
fica ao lado da terra invadida. “Aqui nós emitimos muita poeira e, como fazemos
hora extra até tarde, eles podem reclamar do alto barulho”, comenta o
industrial.
“A gente trabalha com uma máquina de alta pressão
que joga areia no ferro para tirar a ferrugem. Isso causa muita poeira, que irá
toda para essa moradias. Não é o ideal que isso aconteça”, completa o
industrial. Segundo Edilson, em função dos riscos e da possibilidade de
problemas, a ideia é articular a Associação que representa as fábricas na
região para acionar a Justiça contra a invasão. “O presidente da Associação
fechou a fábrica que funcionava aqui. Então, estou em contato com ele para
elegermos uma nova presidência e para, assim, acionar a Justiça”, detalha.
Edilson disse que já tentou contato junto à
Prefeitura de São Gonçalo do Amarante para que fossem adotadas providências em
relação à questão, mas, até o momento, não recebeu nenhum retorno. “A
Prefeitura só orientou que as pessoas mantivessem uma distância de 20 metros do
muro [da fábrica dele] e nada mais”, conta. “Por isso, nós estamos querendo
resolver as coisas de forma legal, junto à Justiça”, afirmou Edilson.
Na último dia 26, a Assessoria de Comunicação da
Prefeitura de São Gonçalo do Amarante chegou a confirmar a invasão e afirmou
que a área trata-se de uma propriedade privada. “O grupo se encontra numa área
privada. A Secretaria de Defesa Social do Município esteve no local e verificou
que eles desmataram a vegetação do terreno e jogaram os entulhos na via
pública. A Prefeitura vai desobstruir a estrada, mas como se trata de uma área
privada, não vai entrar nesta seara”, informou o secretário municipal de
comunicação e eventos, Márcio Cezar.
A assessoria informou também que não havia nenhum
tipo de autorização, por parte da Prefeitura, para a instalação de moradias no
local. Procurado novamente na sexta-feira (2), Cezar orientou à reportagem que
verificasse a questão junto ao secretário de Urbanismo do Município, que não
respondeu aos contatos feitos. A TRIBUNA foi ao local invadido na última sexta.
Até então, apenas demarcações de lotes haviam sido feitas.
O terreno fica por trás da Shock Casa Show, na BR
101, entre a rua Engenheiro Potengi e a Avenida da Oliveiras e foi dividido em
30 lotes de 5 metros cada. Cada área está cercada com arames e varas. No local,
a reportagem encontrou somente um pequeno grupo de pessoas que ainda discutiam
a divisão dos lotes.
Sob a condição de anonimato, um dos candidatos a
estabelecer moradia na região, disse à TRIBUNA que algumas pessoas estão se
aproveitando da situação para vender os lotes.
“Teve gente que chegou aqui, ocupou um lote e depois
vendeu a R$ 200, R$ 300”, diz a fonte. Ninguém soube informar o número de
integrantes do grupo. A região está localizada próximo à divisa com Natal e
Extremoz, onde dezenas de indústrias estão instaladas, gerando emprego e renda
para os moradores de São Gonçalo e da Grande Natal. O local em questão está nas
proximidades de grandes empresas, como a Guararapes, Vicunha Têxtil e Coats
Corrente Têxtil.
A reportagem conversou com alguns invasores e eles
afirmam que viram no terreno uma oportunidade para ter moradia sem pagar
aluguel. “Moro perto e quando começou o movimento aqui, vim para cá. Vivo de
aluguel, pago R$ 200, além de água e luz, mas só faço bicos. Sou separado, não
tenho Bolsa Família e cuido de quatro filhos pequenos. Esse cantinho aqui seria
bom para eu morar sem pagar nada. Isso aqui é uma área pública, mas ninguém
sabe de quem é. Dizem que não tem nem documento”, conta Adenilson Fernandes, de
48 anos.
Assim como Adenilson, Ivaneide da Silva, de 48
anos, estava na área para delimitar o próprio lote. Ela conta que também
vive de aluguel na região, mas relata que o Bolsa Família, única fonte de
renda, é insuficiente para pagar as despesas dela e dos filhos. “Pago R$ 250.
Não tenho nenhuma outra renda além dessa. Às vezes, não tenho nem o que comer”,
relata.
O caso de Alisson Daniel, de 29 anos, também está em
situação semelhante ao dos demais ouvidos pela reportagem. Sem condições de
pagar aluguel, ele foi até a área na esperança de pegar um lote. “Me disseram
que uma mulher pegou esse pedaço de terra aqui, mas depois desapareceu. Eu
estou limpando o mato para ver se consigo pegar para mim. Estou nessa
batalha”, afirma.
A área total ocupada pelo grupo é de
aproximadamente 1.500 m², localizada na região do Distrito Industrial de São
Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. O local, segundo o grupo, é inseguro e
conhecido por ocorrências de assaltos. Segundo eles, povoar o terreno vai
ajudar a combater a insegurança.

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