O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
planeja invadir 11 terras a partir da próxima sexta-feira em “todas as regiões
do Rio Grande do Norte”, de acordo com o coordenador de Frente de Massas do
movimento, Paulo Neto. Aproximadamente 1.100 famílias estão mobilizadas para as
ocupações. Por estratégia, os militantes não revelam que tipo de área ou o
local das ações. “A gente fez um levantamento prévio e chegamos nessas 11
terras”, diz Neto. As ocupações fazem parte de uma ação coordenada em todo o
País para cobrar desapropriações e “em protesto ao agronegócio”.
O presidente da Federação da Agricultura,
Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern), José Vieira, considerou a
série de atos do MST como “terrorismo. “Toda invasão é criminosa, porque você
está invadindo o que é do outro. Então, essa ação [do MST] é criminosa, e
também consideramos ela terrorista. Essa é uma ação terrosista de um grupo
terrorista", disse.
Além do RN, as invasões ocorrem em todas as regiões
do País em meio à 26ª Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária,
que ocorre neste mês de abril, chamado de “Abril Vermelho” pelos manifestantes
em alusão aos 27 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. “Isso acontece em 22
estados do nosso País e a pauta é a vistoria e desapropriação das terras, tendo
em vista que nós já temos acampamentos que têm mais de 18 anos de resistência.
Temos que fortalecer a luta pela reforma agrária, não só aqui no Estado, mas em
todo o País”, disse Paulo Neto.
Na manhã de segunda-feira (17), cerca de 300
militantes sem terra fizeram uma caminhada até a sede do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Natal, onde ocuparam o prédio e
permanecerão por tempo indeterminado. Segundo organizadores do ato, entre as
reivindicações estão a regularização dos assentamentos e o cadastramento de
famílias acampadas. Ainda de acordo com as lideranças estaduais do MST, não há
previsão de novas ocupações de prédios públicos. O ato no Incra é estratégico,
uma vez que o órgão é o responsável por questões fundiárias.
As superintendências regionais do Incra em Porto
Alegre e em Belo Horizonte também foram alvo de protestos e invasões. Na
capital mineira, os sem terra exigem ainda a demissão do superintendente
Batmaisterson Schmidt, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No
Rio Grande do Sul e Minas Gerais, os prédios públicos seguem ocupados. Em nota,
o movimento diz que estão sendo “ocupadas” as terras “que não cumprem a função
social da propriedade”.
O superintendente do Incra-RN, Lucenilson de
Oliveira, diz que o anúncio das invasões preocupa, mas que espera resolver a
situação por meio do diálogo para evitar conflitos. “Preocupar preocupa, mas o
movimento é autônomo. Eles decidem o que é que eles vão fazer, as ações, e a
gente sempre procura o diálogo. O nosso governo, do presidente Lula, prima pelo
diálogo, no sentido de acolher as reivindicações. Não há indícios de que possa
haver algum conflito, não acredito nisso. Nós temos um setor que trata disso
aqui no Incra, que está muito atento e a gente espera que haja tranquilidade no
campo”, afirma o gestor.
Lucenilson de Oliveira acrescenta que o alinhamento
dos governos Lula e Fátima Bezerra, ambos do PT, ajuda a retomar discussões
sobre o tema. “Há seis anos essa parte de obtenção está paralisada. Nós estamos
retomando o trabalho, conversando com os servidores. Inclusive, não existe mais
nem essa divisão [de obtenção de terras] está sendo recriada. Tudo isso no
sentido da gente avançar nessa pauta. É do nosso interesse, é da natureza do
próprio Incra a reforma agrária”, destaca o superintendente do Rio Grande do
Norte.
O prédio do instituto está ocupado pelos militantes
desde a manhã de ontem (17). Homens, mulheres, idosos e crianças vieram
preparados para “passar o tempo que for”, segundo os próprios manifestantes.
Eles trouxeram colchonetes, redes, instrumentos musicais, alimentos e
mantimentos. As cerca de 300 pessoas estão espalhadas na parte interna do
prédio e no estacionamento. Até o momento não houve conflitos nem prejuízos ao
funcionamento do órgão. “Estamos dialogando no sentido de não causar nenhuma
pertubação, até agora está sendo pacífico, mas vamos conversar para saber
quantos dias pretendem passar”, complementa Lucenilson.
China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou para
encontro com o presidente da China, Xi Jinping, o líder do Movimento dos Trabalhadores
Sem Terra (MST) João Pedro Stédile. A presença de Stédile na comitiva oficial
em Pequim ocorre após a divulgação de vídeo em que o dirigente do movimento
promete retomar ainda este mês as invasões de terra, dentro do chamado Abril
Vermelho.
O prestígio dado ao dirigente do MST acontece no
mesmo momento em que o governo petista tenta se aproximar e romper resistências
junto ao agronegócio. Stédile, no entanto, não é figura bem vista pelo setor
produtivo rural. Na última semana, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
pediu a prisão temporária ou preventiva de Stédile.
O pedido foi motivado por um vídeo no qual o líder
do MST afirma que em abril “haverá mobilizações (do movimento) em todos os
Estados, seja marchas, vigílias, ocupações de terra, as mil e uma formas de
pressionar que a Constituição seja aplicada e que latifúndios improdutivos
sejam desapropriados e entregues às famílias acampadas”. Na quinta-feira (13)
ao participar da posse da ex-presidente Dilma Rousseff como dirigente do banco
dos BRICS, Lula fez questão de registrar a presença de Stédile no evento em
Xangai.
Presidente da Faern diz que ação é
“terrorismo”
Terrorismo. Essa foi uma expressões usadas pelo
presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte
(Faern), José Vieira, para classificar a ocupação realizada pelo MST. Segundo
Vieira, a invasão promovida pelo movimento é criminosa e terrorista, já que
fere as leis de propriedade privada. "Toda invasão é criminosa, porque
você está invadindo o que é do outro. Então, essa ação [do MST] é criminosa, e
também consideramos ela terrorista. Essa é uma ação terrorista de um grupo
terrorista", disse.
Como presidente do órgão, Vieira lamentou a invasão
e também afirmou que espera uma ação das forças policiais do Estado, removendo
os manifestantes das terras invadidas "A polícia deve retirar
imediatamente esses baderneiros, criminosos, que estão invadindo órgãos
públicos".
Questionado sobre a informação, apurada com
exclusivadade pela Tribuna do Norte, de que outros 11 locais serão invadidos
pelo MST no RN a partir da próxima sexta, o presidente da Faern afirmou que os
produtores e donos de terras terão o apoio do órgão nas invasões. "A Faern
irá interceder por todos os produtores que forem agredidos através da invasão
do seu patrimônio. Estamos com nossa assessoria jurídica de prontidão. Nós
somos terminantemente contra a qualquer tipo de invasão a qualquer tipo de
órgão, seja público ou privado. Espero que o governo tome as providências e
responsablilize as pessoas envolvidas."
"Se eles estão se preparando para invadir, os
produtores estão se preparando para reagir. Se eles invadirem a terra, nós
iremos interceder junto à Justiça, para que a reintegração de posse seja
feita". concluiu.

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