O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da
Administração Direta do RN (Sinsp/RN) voltou a denunciar novos atrasos nas
parcelas dos empréstimos consignados dos servidores do Estado. De acordo com o
Sinsp, há sete meses o Governo não repassa para o Banco do Brasil os valores
descontados em contracheque, fator que tem trazido dor de cabeça para os
trabalhadores. Sem os repasses, as cobranças chegam aos trabalhadores, mesmo
com os descontos em folha. Por causa disso, os empréstimos estão suspensos,
segundo o sindicato.
O Governo do Estado não respondeu aos contatos da
TRIBUNA DO NORTE para esclarecer o assunto. Conforme informou o Sindicato,
relatos de funcionários do Banco do Brasil dão conta de que “o Estado deve à
instituição o último quadrimestre de 2022, além de janeiro, fevereiro e março
de 2023”. Enquanto isso, de acordo com a denúncia, os trabalhadores
que têm empréstimo convivem com uma rotina de cobranças por meio de ligações e
cartas, com ameaças de terem o próprio nome levado aos órgão de proteção
de crédito.
“Os servidores que buscam o empréstimo consignado
são, em grande parte, aqueles mais carentes, com menores salários, que estão
atrás de dinheiro para pagar contas, suas e de seus familiares, como também
para comprar alimentos, remédios ou fazer reformas nas suas casas. Essas
pessoas seguem sem ver uma luz no fim do túnel, pois o Estado ainda não pagou
as parcelas retiradas dos servidores”, informou a presidente do Sinsp/RN,
Janeayre Souto.
Empréstimos consignados são aqueles onde as parcelas
do crédito são debitadas diretamente da folha de pagamento do servidor,
em vez de serem descontadas em sua conta corrente. Em outra modalidade dentro
do consignado, é oferecido o cartão de crédito, pelo qual é descontado um
percentual do valor na folha, parte fixa, além de parcelas extras do que foi
comprado com o cartão. Em tese, o valor descontado deveria ir diretamente para
a instituição financeira. Quando isso não ocorre, os trabalhadores estão sujeitos
a transtornos, como o risco de ter o nome negativado.
Não houve prazo para a regularização do pagamento.
Em outubro, o Sindicato voltou a denunciar – desta vez seriam dois meses de
atrasos. À TRIBUNA DO NORTE, o Governo disse, inicialmente, não haver
data para normalizar a situação. No entanto, adivulgou uma nota horas
depois, afirmando que “a fração restante do repasse dos consignados ao Banco do
Brasil, referente ao mês de setembro”, seria “quitada nos próximos dias”, assim
como o início do pagamento do próprio mês de outubro.
Em novembro, mais uma vez oSinsp reclamou alegando
que a falta de repasses já durava 90 dias e que o Banco do Brasil “manteve suspenso
o consignado praticamente todos os dias daqueles três meses”. Já em janeiro
passado, a entidade voltou a reclamar: “o Estado deve as parcelas dos
empréstimos consignados retirados dos servidores do último quadrimestre do ano
passado. Com isso, o serviço segue bloqueado penalizando as pessoas que buscam
crédito no Banco do Brasil”.
A falta de repasses seguiu em fevereiro, até que
completou, afirma o Sinsp, sete meses em abril. Nesta segunda-feira (17), a
TRIBUNA DO NORTE procurou a Seplan e a Secretaria de Comunicação do Governo do
Estado para que o assunto fosse esclarecido, mas ninguém respondeu às
tentativas de contato da reportagem.

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