O Rio Grande do Norte só tem mais 15 dias de estoque
do anestésico Midazolam, um dos usados no processo de intubação de pacientes
com Covid-19, caso o ritmo de internações siga o atual pelas próximas semanas.
A situação de baixa capacidade para fornecimento às
unidades de saúde foi confirmada pelo diretor técnico da Unidade Central de
Agentes Terapêuticos (Unicat), Thiago Vieira, que considera o risco de
desabastecimento desse e outros medicamentos do kit intubação
"iminente" caso o consumo siga crescente e sem previsão de
reabastecimento.
Segundo ele, além desse medicamento, há outros
utilizados na intubação com previsão de acabar em até 30 dias.
"Dos medicamentos do kit intubação, que são em
torno de 15, nós temos medicamentos pra 15 dias de consumo alguns deles, temos
outros para 30 e até 90 dias. O risco de desabastecimento é iminente. Se a
gente continuar nesse nível de internação hospitalar, de pressão do sistema,
acontece sim o risco de falta desses insumos", explicou.
Segundo o boletim da Secretaria de Estado da Saúde
Pública (Sesap), atualmente há 352 pacientes internados em leitos críticos do
Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o estado, cerca de 86% do total. Nos
hospitais privados, que também já passam por risco de desabastecimento, segundo
o diretor, são 238 internados em leitos críticos no estado - 100% de ocupação.
Thiago Vieira explicou ainda que atualmente o perfil
das pessoas intubadas com a doença mudou, tendo pacientes mais jovens, que
contam com inflamações graves e precisam do uso do medicamento. Desde o início
da pandemia, houve um aumento de 300% no consumo dos medicamentos do chamado
kit intubação.
"A internação desse paciente demanda diversos
insumos, entre eles os medicamentos do kit intubação. Hoje nós temos um outro
sinal dessa pandemia, que são os pacientes mais jovens, que vão demandar mais
anestésicos e mais bloqueadores", disse.
Segundo o médico anestesista, Max Breno, a intubação
requer um "arsenal de medicamentos" e caso falte algum essencial, há,
por consequência, um risco maior de morte. Ele explica ainda que é essencial
ter mais de um medicamento a disposição, pois o uso depende da condição do
paciente.
"Cada pessoa tem sua comorbidade, sua situação.
Por exemplo, o paciente que tem insuficiência renal, eu não posso usar algumas
medicações. O paciente que está com hipotensão, pressão baixa, eu não posso
usar outras. Além da gente ter quantidade suficiente pra manter o paciente
intubado, a gente precisa ter opções. Não baste ter um, duas ou três pra
escolher qual a melhor para cada pacientes.
Com a alta de internações, o Rio Grande do Norte
também passa por uma crise no abastecimento de oxigênio. Recentemente
chegaram ao estado 160 cilindros enviados pelo Ministério da Saúde e
mais de 70 concentradores enviados pelo Amazonas.
Segundo levantamento feito pelo Conselho de
Secretarias Municipais de Saúde (Consems/RN), mais
de 60 municípios estão com dificuldades para comprar esse insumo.

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