A Arquidiocese de Natal vai participar da Campanha da
Fraternidade 2021, que começa nesta quarta-feira 17, e motivou algumas
polêmicas com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”. A Campanha,
que é nacional e acontece anualmente no período entre a Quarta-feira de Cinzas
e a Semana Santa, criticou em seu texto base alguns pontos como negacionismo da
ciência na pandemia de Covid-19, a cultura do ódio e a violência contra
mulheres, negros, indígenas e LGBTIQ+, e, por esse motivo, acabou desagradando
membros da Igreja conservadores.
Uma das pessoas que não concordaram com a abordagem do
texto é o diretor do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, Frederico Abranches
Viotti, que publicou diversos vídeos em seu canal do YouTube promovendo o
boicote à Campanha da Fraternidade alegando que a ação promove a “subversão dos
princípios e das instituições cristãs”. Além dele, outros canais de conteúdo
católico também estão criticando a Campanha, alegando um “alinhamento à
esquerda” das instituições responsáveis.
O padre Robério Camilo é o Coordenador Arquidiocesano
da Campanha da Fraternidade, e para ele, quem está criticando o texto da ação é
a favor da violência e da intolerância.
“Alguns católicos ultraconservadores estão criando
polêmica em cima do texto. É um texto lindo, que fala sobre o diálogo
respeitando as diferenças. O papel da Igreja é incluir, não excluir, se não é
incluísse não seria a Igreja. Quando Jesus ficou ao lado das prostitutas e dos
pobres, os doutores da lei também condenaram, é a mesma coisa que está
acontecendo agora”, disse.
O texto base deste ano, que traz dados do Atlas da
Violência 2020 sobre violência contra pessoas LGBTIQ+, mulheres, negros e
indígenas, reafirma o compromisso com os Direitos Humanos, e critica o
fundamentalismo religioso, foi elaborado pelo Conselho Nacional das Igrejas
Cristãs do Brasil (Conic), isso porque a cada cinco anos a Campanha da
Fraternidade é Ecumênica, ou seja, reúne diversas denominações cristãs, não
apenas a Igreja Católica.
A redação do texto foi realizada por pessoas de
diferentes áreas do conhecimento, entre elas teologia, ciência política e
sociologia, e depois de elaborado o texto foi avaliado por uma comissão de 8
pessoas. Após a polêmica, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
afirmou em nota que “não se trata de um texto preparado pela comissão da CNBB”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário