O Globo
BRASÍLIA - O Brasil registrou a primeira
morte por Covid-19 no
fim de janeiro. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da
Saúde, houve uma hospitalização em razão da doença na quarta semana do ano. Até
então, o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, que já matou 299 pessoas,
tinha sido confirmado no fim de fevereiro. Inicialmente, o Ministério da
Saúde informou apenas que era um caso confirmado hospitalizado. Depois comunicou
que se trata uma mulher de 75 anos que morreu em Minas Gerais.
O Ministério da Saúde explicou que está fazendo uma
investigação retroativa de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Nesse processo, em que são analisadas amostras de todas as semanas de 2020, foi
encontrado um caso de 23 de janeiro.
Segundo o secretário de Vigilância em Saúde da pasta,
Wanderson de Oliveira, o caso é importado, ou seja, foi contraído em outro
país.
— As equipes nos estados estão investigando,
encerrando os casos. Tanto é que a gente identifica, ou seja, havia circulação
inicial de casos já no final de janeiro de 2020 no Brasil, com caso importado
obviamente. Esse caso agora está sendo mais investigado, mas o resultado laboratorial
é PCR [um tipo de teste que é mais preciso na hora de identificar um vírus].
Não tem dúvida que é um caso confirmado — disse Wanderson.
De acordo com ele, no caso da epidemia de zika, em
2015 e 2016, ocorreu a mesma coisa, ou seja, investigação retroativa descobriu
casos mais antigos do que os eram conhecidos inicialmente.
— Nós fizemos investigação do zika vírus. Inicialmente
achávamos que os primeiros casos eram de abril de 2015. Depois, um ano depois,
com investigação retrospectiva, verificamos que tinha caso de zika vírus
identificado em banco de sangue na região amazônica desde abril de 2014 —
afirmou o secretário.
O Ministério da Saúde divide o ano em semanas
epidemiológicas, que começam num domingo e vão até o sábado. Assim, a primeira
semana epidemiológica de 2020 teve início na verdade em 29 de dezembro de 2019,
indo até 4 de janeiro. A quarta semana vai de 19 a 25 de janeiro. A décima
quarta, que é a atual, começou no último domingo e vai até o próximo sábado.
Desde o começo do ano, houve 23.999 hospitalizações
por SRAG. Delas, houve confirmação de Covid-19 em 1.587, ou 6,6% do total. Fora
o caso de janeiro, todos os demais são a partir da oitava semana, ou seja, já
no fim de fevereiro. Nessa semana, houve uma hospitalização.
Depois disso, os números subiram. Na semana seguinte,
foram quatro internações. Na décima, 42. Na décima primeira, 355
hospitalizações. Na décima segunda, 710. Na décima terceira, 433. E na décima
quarta, que é a semana atual, já são 41. Os números podem mudar, porque nem
todos os casos foram investigados.
Quando consideradas apenas as hospitalizações por SRAG
em que foi confirmada a presença de um vírus respiratório, a Covid-19 responde
por mais da metade dos casos nas últimas três semanas. Em outras palavras,
houve mais casos graves relacionados ao novo coronavírus do que com os outros
vírus, como o H1N1, o H3N2 e o influenza B, que causam a gripe.
O estado de São Paulo, o mais afetado pela epidemia,
concentra 82,5% das hospitalizações por covid-19. Quando considerado todo o
universo de internações por SRAG, o estado responde por 48,4% do total. O
segundo estado com mais hospitalizações em razão do novo coronavírus é o Rio de
Janeiro, com 4,4%.
No início da apresentação do Ministério da Saúde, após
a entrevista coletiva, Mandetta foi questionado pelo GLOBO sobre a descoberta
de que o primeiro caso ocorreu em janeiro, e não em fevereiro. Diante da
pergunta, feita fora do microfone, o ministro demonstrou desconhecer a
informação, sinalizando negativamente com a cabeça.
Sentado do seu lado,
Wanderson interveio e disse que falaria do caso durante sua apresentação,
surpreendendo Mandetta.
Na saída da apresentação, Wanderson foi abordado pela
reportagem, que insistiu no questionamento. O secretário se limitou a responder:
— Estamos investigando.

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