A Justiça do Trabalho recebeu 50 novas ações por
assédio sexual no ambiente de trabalho no RN entre janeiro e maio de 2026. O
número representa alta de 31,6% em relação ao mesmo período do ano passado,
quando foram ajuizados 38 processos, segundo o Monitor do Trabalho Decente, do
Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).
Natal concentrou a maior parte das ações neste ano.
Das 50 registradas no Estado, 34 foram ajuizadas na capital, conforme
informações do Agora RN.
No acumulado entre outubro de 2024 e julho de 2026,
o RN contabilizou 180 processos relacionados ao tema, sendo 172 em primeira
instância e oito em segunda. A maioria das ações foi movida por mulheres.
Os registros se concentram principalmente em
processos envolvendo pessoas físicas, com 27 ações. Em seguida aparecem os
setores de teleatendimento (22), bancos e instituições financeiras (13),
comércio (8), hotéis (8) e administração pública (6).
Para a juíza Fátima Christiane Gomes de Oliveira,
ouvidora da Mulher no TRT-RN, o aumento das ações pode refletir uma maior
conscientização sobre o assédio sexual no ambiente de trabalho.
Ainda assim, ela avalia que muitos casos continuam
sem denúncia por medo de demissão, represálias ou dificuldade para reunir
provas.
Orientações às vítimas
A magistrada orienta que as vítimas guardem
mensagens, e-mails e outros elementos que possam comprovar o assédio. Também
recomenda procurar os canais internos da empresa, a Ouvidoria, o MPT ou a
Justiça do Trabalho.
Segundo ela, as empresas têm o dever de prevenir
esse tipo de conduta, apurar as denúncias com sigilo e adotar medidas para
proteger os trabalhadores.