A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva
(PT-MG), 21 anos, se tornou alvo de polêmica dias depois de ser anunciada como
integrante da equipe de campanha digital de Lula (PT) para o segundo turno.
Publicações antigas atribuídas a ela no X foram resgatadas por apoiadores de
direita e viralizaram nesta semana.
Influenciadora com 3,2 milhões de seguidores no
Instagram, Ana Elisa foi a segunda deputada federal mais votada de Minas
Gerais, com 524.216 votos — atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), tornando-se
a deputada federal mais jovem já eleita no país. Após se reunir com Lula na
quarta-feira (7/10), passou a integrar o grupo de jovens convocados pelo PT
para reforçar a campanha nas redes.
Os prints resgatados, com datas entre 2022 e 2026,
trazem frases como "odeio branco", "tô nem aí para
empreendedor", defesa de que o STF bloqueasse Instagram, Facebook e
WhatsApp, pedido para retirar a isenção fiscal de igrejas evangélicas e
críticas a padres. Um post de 2 de outubro de 2022 dizia: "Lula eu acho
mesmo que vc deve fechar as igrejas esses crente só faz merdaaaa MEU DEUS DO
CÉU". Outro, de janeiro de 2023, quando ela tinha 17 anos, ironizava a
preocupação da mãe com um possível aborto de terceiros.
Ana Elisa nega a autoria de parte do conteúdo,
classifica como fake news e diz que vai acionar o TSE para pedir a suspensão da
diplomação de quem compartilhou o material, citando Nikolas Ferreira. Apesar da
negativa, ao menos um dos posts foi localizado por reportagens em arquivos
públicos da internet.
Na noite de quinta-feira (8/10), ela desativou sua
conta no X, alegando ter recebido ameaças de morte e violência sexual a cada
dois minutos, denunciou o caso à polícia e responsabilizou os irmãos do governador
eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) — Gleidson Azevedo e
Eduardo Azevedo (PL) — pela disseminação do conteúdo.
O episódio também expôs uma publicação atribuída ao
perfil de Nikolas Ferreira, de 2014, com conteúdo ofensivo sobre a Virgem
Maria, que o deputado nega ter escrito. O caso dividiu a cobertura da imprensa:
parte trata o episódio como ataque coordenado da direita contra uma jovem
recém-eleita, enquanto outra destaca que parte do conteúdo parece autêntico e
levanta dúvidas sobre o papel de Ana Elisa como novo rosto digital da campanha
de Lula.

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