Mensagens trocadas em 2024 pela lobista Roberta
Luchsinger indicam que empresários buscavam captar recursos em governos
estaduais do PT para financiar um documentário do cineasta Oliver Stone sobre o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são da coluna da
jornalista Andreza Matais, do Metrópoles.
Em uma conversa com Gustavo Gaspar, ex-assessor do
senador Weverton Rocha (PDT-MA), Luchsinger afirmou que o empresário Marcelo
Bittencourt e um homem identificado como Zé procuravam apoio financeiro para o
projeto. Na mensagem, ela também disse que Lula desaprovava o uso de seu nome
na captação.
“Amor, seguinte … o Fábio (Luís Lula da Silva, o
Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo
de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra
captar dinheiro pro filme do Oliver Stone …”, diz ela na mensagem.
Em outra conversa, acrescentou: “O pai do Fábio (o
presidente Lula) achou o filme uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá
falar com ele. Mas q estão captando mto dinheiro usando o nome do presidente.
Ele odeia isso. Bom, coisas de Zé .::”, diz o texto.
Em março de 2024, Luchsinger pediu a Bittencourt
material sobre o documentário para sondar a possibilidade de apoio do governo
do Maranhão. O empresário enviou informações sobre cotas de patrocínio que
ofereciam convites para eventos de lançamento no Brasil e no Festival de
Cannes, na França, além da possibilidade de inclusão da marca do apoiador no
filme.
Meses depois, em conversa com o então embaixador do
Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, a lobista afirmou que Bittencourt
havia financiado o documentário e elogiou o empresário e sua esposa.
As mensagens também indicam que Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha, participou de conversas sobre a produção. Em um grupo de
WhatsApp, ele mencionou sua relação com o cineasta e afirmou ter feito a ponte
com o escritor Fernando Morais, biógrafo de Lula e consultor do documentário.
O caso ganhou repercussão nesta sexta-feira (9),
após a revista Veja divulgar um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro,
do Banco Master, sobre o financiamento do filme. Segundo a publicação, o
pagamento teria sido realizado por meio do Instituto Lula.
Luchsinger passou a ser investigada no contexto das
apurações sobre a chamada “Farra do INSS”, esquema de descontos ilegais em
aposentadorias. Ela é apontada como ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo
Antunes, conhecido como Careca do INSS, um dos principais investigados.




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