O presidente Lula mudou a postura diante do cenário
eleitoral e passou a considerar o risco de derrota, segundo análise da
jornalista Vera Magalhães, em sua coluna no O Globo. A avaliação é
de que o clima de “já ganhou” que predominava no Planalto e no PT no fim de
2025 deu lugar à preocupação com a perda de popularidade e o crescimento de
Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
Vera aponta como sinal dessa mudança o discurso de
Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. Ao encerrar a fala, o presidente
associou uma eventual derrota eleitoral ao avanço do autoritarismo sobre a
democracia. A colunista também cita o reajuste do Bolsa Família, anunciado às
vésperas da eleição, como parte da nova estratégia.
Outro movimento será a reunião de Lula, na
sexta-feira, com cerca de 300 empresários ligados ao grupo Esfera. O encontro
deve ter a participação de Fernando Haddad, do ministro da Fazenda, Dario
Durigan, além de Bruno Moretti e Miriam Belchior. Lula pretende defender os
resultados econômicos de seu governo e tentar reconstruir pontes com o setor
produtivo.
Segundo a coluna, parte dos empresários espera
compromissos mais concretos para um eventual novo mandato. Entre as
possibilidades discutidas nos bastidores está até a antecipação do nome de quem
comandaria o Ministério da Fazenda. Luiz Carlos Trabuco Cappi, ex-presidente do
Bradesco, é citado por empresários como uma possibilidade capaz de reduzir
resistências.
A avaliação apresentada por Vera é que Lula já
percebeu que precisa ampliar seus movimentos para além do eleitorado que
tradicionalmente o apoia. A questão, a poucas semanas da votação, é se haverá
tempo e disposição para fazer gestos capazes de atrair setores hoje resistentes
a um quarto mandato.

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