O Rio Grande do Norte registrou um acidente
de trânsito com vítima a cada 15 minutos entre janeiro e agosto deste
ano. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (23) pela Secretaria de
Estado da Saúde Pública (Sesap-RN) em um evento sobre a Semana Nacional do
Trânsito, que acontece entre os dias 18 e 25 de setembro.
De acordo com o levantamento, foram 23.317
notificações de acidentes de trânsito no sistema Notifica RN -
plataforma da Sesap para registro nas unidades de saúde - nesse período de oito
meses. Desse total, 19.158 envolveram motocicletas, o que
representa 82% dos casos.
Representante do Núcleo de Comunicação Social da
Polícia Rodoviária Federal (PRF), Bruno Duarte disse que os dados da corporação
indicam que metade dos proprietários de motocicletas no estado não possuem
sequer Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
"Então, não só o uso de bebida alcoólica, mas a
falta de habilitação também. São elementos aí que coadunam fortemente para a
incidência de acidentes. Não adianta nada ter um aumento da fiscalização se não
há conscientização do condutor em casa", falou.
Segundo a direção do Hospital Monsenhor Walfredo
Gurgel, apenas neste mês de setembro, o número de pacientes que deu entrada na
unidade após acidentes envolvendo motocicletas cresceu mais de 700%.
O mês de agosto, segundo dados do Notifica RN, foi o
que mais registrou casos no ano: 3.161 - cerca de 100 por dia. Além
de agosto, apenas o mês de março teve mais de 3 mil casos com vítimas:
3.080.
Veja, abaixo, os acidentes com vítima
por tipo de veículo:
- Motocicletas: 19.158
ocorrências (82,1% do total de vítimas)
- Automóveis: 1.215
ocorrências
- Bicicletas: 1.174
ocorrências
- Pedestres: 725
ocorrências
- Caminhões: 42
ocorrências
- Ônibus/Micro-ônibus: 31
ocorrências
- Veículo
de tração animal: 22 ocorrências
- Outros/Ignorado/Vazio: 950
ocorrências
Acidentes: mais com homens e nos fins de
semana
Os homens representam mais de 70% das
vítimas de acidente de trânsito no Rio Grande do Norte, segundo o
levantamento.
Ao todo, são:
- Homens:
16.417 vítimas (70,4%)
- Mulheres: 6.881
vítimas (29,6%)
📊
A faixa etária mais afetada é a de 20 a 29 anos, somando 7.290 casos no
total (sendo 5.185 homens e 2.105 mulheres). Em seguida aparecem os
adultos de 30 a 39 anos, com 5.197 ocorrências notificadas.
Outro ponto apontado na pesquisa é que os finais de
semana concentram a maior incidência de acidentes com vítimas estado. O
domingo é o dia com maior número de acidentes, com 4.028
notificações, seguido de perto pelo sábado (3.661) e pela
segunda-feira (3.605).
Segundo o secretário de Estado da Saúde Pública,
Alexandre Motta, as estratégias para diminuir os números precisam ser
repensadas. Ele diz que mesmo que a vítima do acidente não morra, há um
"custo alto" para o Estado, para a família e, por vezes, para o
sistema de previdência.
"Esse um custo humano é muito grande para as
famílias, porque quando o cidadão não morre, ele pode eventualmente ficar
inválido, e ele não fica inválido só, alguém tem que tomar conta dele. Então,
associado a isso, também tem um custo previdenciário. Essas pessoas são
absorvidas pelo sistema da previdência. É um custo inclusive para as
seguradoras, então é um custo geral muito alto", falou.
PRF cita mortes envolvendo uso de álcool
Bruno Duarte, do departamento de Comunicação da PRF,
explicou que entre julho do ano passado e abril deste ano, 40 dos 81 óbitos em
rodovias federais envolviam uso de bebida alcóolica.
"Esse é um número alarmante. Foi um
levantamento conjunto da PRF com o Itep [Instituto Técnico-Científico de
Perícia]. E isso reforça a necessidade de conscientização. Todo mundo já sabe
que é proibido beber e dirigir, mas muitas pessoas ainda insistem em cometer
esse erro, e é um erro fatal", falou.
O secretário de saúde do RN acredita que é preciso
pensar "fora do quadrado" para tentar solucionar a questão, já que
mesmo diante de ações de fiscalização, os números seguem aumentando.
"A gente tem feito o trabalho de fiscalização,
de efetivação das polícias, trabalho educativo...No entanto, os números
continuam ainda bastante elevados. O que é que a gente pode fazer além disso? A
gente tem que pensar", falou
Ele disse que entre as possibilidades estão
seminários e a busca de experiências exitosas "que possam ter pelo mundo
afora, porque certamente alguns lugares devem ter já reduzido seus
números".
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