sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Lobista revela ter tratado de Master com Zanin

 


O lobista Chiquinho Feitosa, irmão da advogada Guiomar Feitosa (ex-mulher de Gilmar Mendes), disse a Daniel Vorcaro que tratou de temas de interesse do fundador do Banco Master em um jantar com o decano do Supremo Tribunal Federal e o ministro Cristiano Zanin em 28 de maio de 2024. O ministro negou que tenha jantado ou recebido Feitosa. As informações são do Poder 360.

“Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar, Zanin e as esposas. Conversei alguns assuntos de nosso interesse e passei as informações que o Fernando me deu. Se for estar por aqui, me fala!”, disse Feitosa para Vorcaro em mensagem às 20h55.

Vorcaro, então, respondeu: “Ótimo, vou estar. Nos vemos amanhã”.

A informação consta do acervo de mensagens extraídas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em nota, Zanin disse que “nunca teve qualquer relação com Daniel Vorcaro, tampouco com Chiquinho Feitosa”.

O ministro Cristiano Zanin declarou também, por meio de nota, que “nunca jantou, nunca os recebeu em audiência e nunca conversou com eles [Chiquinho e Vorcaro] sobre qualquer assunto”.

A troca de mensagens entre Chiquinho e Vorcaro, entretanto, fala de maneira peremptória que o lobista estava num jantar com os 2 ministros do STF (Gilmar e Zanin):

 

Chiquinho Feitosa, que foi suplente de senador em 2014, na chapa com Tasso Jereissati (PSDB-CE), deu declarações inconclusivas. Feitosa disse que “não se recorda com precisão” sobre o citado jantar e afirma que não tratou com os ministros do STF de assunto que fosse do interesse de Daniel Vorcaro. “Se estive na presença dos ministros, foi em ocasião social, com outros convidados”, declarou.

O gabinete do ministro Gilmar Mendes respondeu ao Poder360 que o ministro não participou do referido jantar com Feitosa ou Zanin: “O ministro não teve conhecimento de qualquer entendimento entre ele e terceiros, não foi por ele [Chiquinho Feitosa] procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”

As mensagens colhidas pela PF indicam que Vorcaro buscava com Chiquinho Feitosa uma maior interlocução com os ministros do STF, que julgavam a validade do pagamento de precatórios não pagos sob a titularidade do Master. Os precatórios não pagos eram contabilizados pelo banco, que maquiava o seu caixa para os órgãos de fiscalização.

Com Feitosa, o fundador do Master recebeu indicação de como se aproximar do ministro Gilmar Mendes. Em 19 de abril de 2024, dias antes do Fórum Jurídico patrocinado pelo Master em Londres, Chiquinho Feitosa disse para Vorcaro “começar uma relação direta” com Gilmar: “É importante para o futuro”.

Em nota, o gabinete do ministro disse apenas que “não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”. A manifestação do decano também afirma que o ministro votou contra o pagamento dos precatórios do Master, alinhando-se a teses defendidas pela União. 

 


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