O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN)
recomendou a criação de um espaço seguro e exclusivo para pessoas LGBTQIAPN+ na
Cadeia Pública de Mossoró. A orientação foi encaminhada à Secretaria de Estado
da Administração Penitenciária (Seap), à Coordenadoria de Administração
Penitenciária e à direção da unidade.
A recomendação estabelece que o espaço seja disponibilizado
em um prazo máximo de 90 dias. A medida busca aumentar a proteção de internos
que podem estar mais vulneráveis a episódios de violência dentro do sistema
prisional.
A iniciativa foi tomada após um caso de violência
sexual registrado em 1º de agosto, envolvendo um detento homossexual que também
estava em tratamento psiquiátrico. Segundo o MPRN, o episódio ocorreu dentro da
unidade.
A direção da Cadeia Pública informou ao Ministério
Público que atualmente não existe uma cela específica para esse público em
Mossoró.
Como alternativa, internos LGBTQIAPN+ considerados
vulneráveis podem ser transferidos para uma unidade prisional em Ceará-Mirim,
na Grande Natal. A mudança, no entanto, pode dificultar o contato com
familiares que vivem em Mossoró, já que as visitas passam a ocorrer em outro
município.
Segundo o MPRN, a 14ª Promotoria de Justiça de
Mossoró já havia solicitado a criação de um espaço específico para esse público
em 2015, mas a medida não teria sido implementada pela administração estadual.
A recomendação determina que a permanência no espaço
destinado à população LGBTQIAPN+ seja voluntária. O interno deverá ter o
direito de escolher entre permanecer na unidade de Mossoró ou ser transferido
para uma ala especializada em outra unidade do estado.
O Ministério Público também orienta que não sejam
realizadas transferências obrigatórias ou utilizadas como forma de punição.
Outra medida prevista é a criação de uma rotina de
atendimento para novos internos. Na chegada ao sistema prisional, as pessoas
LGBTQIAPN+ deverão ser informadas sobre as opções disponíveis e sobre o direito
de escolher onde permanecer.
O MPRN também recomendou a realização de
capacitações sobre direitos humanos para policiais penais e demais servidores
que atuam na unidade.
A Seap, a Coordenadoria de Administração
Penitenciária e a direção da Cadeia Pública de Mossoró têm 15 dias úteis para
informar se irão cumprir a recomendação.
Caso aceitem, deverão apresentar um cronograma para
execução das adequações necessárias.
Se não houver resposta ou as medidas não forem
adotadas, o MPRN poderá recorrer à Justiça para cobrar do Estado a
implementação do espaço. O Ministério Público também poderá apurar eventual
responsabilidade de gestores por possíveis omissões relacionadas à segurança
dos internos.

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