O Rio Grande do Norte destinou apenas 5% da receita
total a investimentos no primeiro semestre de 2026, o menor percentual entre os
estados do Nordeste, segundo dados do Relatório Resumido da Execução
Orçamentária (RREO) em Foco, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O
resultado ocorre em meio ao elevado comprometimento da receita estadual com
despesas de pessoal e Previdência.
O percentual destinado a investimentos coloca o RN
na última posição entre os nove estados nordestinos. O Piauí aparece no outro
extremo, com 16% da receita destinada a investimentos. Maranhão e Sergipe
registraram 12% e 10%, respectivamente, enquanto Bahia e Ceará chegaram a 9%.
Pernambuco e Paraíba ficaram em 8%, e Alagoas, em 6%. O indicador representa a
parcela da receita total destinada às despesas de investimento no período, como
obras, aquisição de equipamentos e outras aplicações de capital.
No RN, foram apenas 5% da receita, enquanto a maior
parcela dos recursos foi consumida por despesas correntes, aquelas necessárias
para manter o funcionamento cotidiano do Estado, como pessoal e custeio.
Apesar do baixo percentual destinado a
investimentos, o secretário do Tesouro Estadual, Flávio George Rocha, justifica
que houve avanço em relação ao mesmo período de 2025. “Até o terceiro bimestre
de 2026, os investimentos do Governo do Estado aumentaram 150% em relação ao
mesmo período do ano anterior, graças à redução do comprometimento da receita
com pessoal e encargos”, aponta.
As despesas com pessoal representam a maior fatia da
receita no RN no primeiro semestre de 2026: 68%, o maior percentual entre os
estados brasileiros. O dado inclui os gastos com pessoal do Executivo e dos
demais poderes. Na prática, a cada R$ 100 de receita total, R$ 68 são
destinados a salários, aposentadorias e encargos sociais.
Mesmo com o resultado, o secretário afirma ainda que
houve redução do peso da folha. Em 2025, segundo Rocha, as despesas com pessoal
representavam 72% da receita, quatro pontos percentuais acima do registrado
neste ano.
Ele considera que a redução ajudou a ampliar o
espaço para os investimentos. “Os números precisam ser comparados e analisados
na linha do tempo”, defende.
O documento aponta também que 10% da receita total
do Estado correspondem a obrigações financeiras pendentes no primeiro semestre
de 2026, segundo o relatório. “As obrigações financeiras são quitadas de acordo
com o fluxo de caixa do Tesouro, que não segue uma linearidade durante o
exercício financeiro”, afirma Flávio Rocha.
Com informações da Tribuna do Norte

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