A Justiça decretou na semana passada a falência da
LSH Barra, empresa que prometia construir um hotel da rede Trump no Rio de
Janeiro e que teve como CEO o influenciador Paulo Figueiredo. Com a decisão,
fundos de previdência e o fundo de pensão dos funcionários do Serpro acumulam
um prejuízo estimado em R$ 400 milhões em valores atualizados. As informações
são da coluna
do jornalista Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
Investimentos milionários de institutos
de previdência e prejuízo a aposentados
Entre 2014 e 2016, o FIP LSH recebeu cerca de R$ 200
milhões de dez institutos de previdência e do Serpros para financiar o
empreendimento. Os maiores aportes foram do Tocantins (R$ 35 milhões), Campos
dos Goytacazes (R$ 40 milhões), Campinas (R$ 15 milhões) e do Serpros (R$ 56
milhões).
Falência do hotel
O hotel foi inaugurado em 2016 com apenas 75 dos 170
quartos previstos e sem a marca Trump. Em 2019, a empresa entrou em recuperação
judicial, mas o plano acabou rejeitado após a Justiça invalidar o voto de Paulo
Figueiredo na assembleia de credores.
Sem conseguir se recuperar e após perder o imóvel
dado em garantia das dívidas, a LSH Barra teve a falência decretada. Com isso,
os investidores ficaram apenas com participação em uma empresa sem patrimônio,
consolidando o prejuízo milionário apontado pela reportagem.
Condenação da CVM
De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), o projeto foi sustentado por uma operação fraudulenta que envolvia a
valorização artificial das cotas do fundo e o desvio de recursos.
Em decisão de dezembro de 2024, a CVM concluiu que
Paulo Figueiredo utilizou contratos fictícios para beneficiar empresas ligadas
a ele e à sua família. O órgão também apontou uma transferência indevida de
cerca de R$ 400 milhões dos investidores para os sócios fundadores.
Multas e processo criminal
A CVM aplicou a Paulo Figueiredo multas que somam R$
81 milhões — R$ 54 milhões por desvios de recursos e R$ 27 milhões pela
sobrevalorização dos ativos. O empresário Ricardo Rodrigues, conhecido como
Ricardo Gordo, foi multado em R$ 53 milhões.
Os dois também responderam a uma ação criminal
decorrente da Operação Circus Maximus. No entanto, o processo contra Figueiredo
foi trancado pelo TRF-1 em 2022, sob o entendimento de que não havia descrição
de condutas criminosas específicas atribuídas a ele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário