Um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na
revista científica Nature identificou o primeiro caso conhecido de câncer transmissível
em peixes de água doce. A pesquisa revelou que um melanoma encontrado em
bagres-da-cabeça-marrom (brown bullhead catfish) não surge de forma
independente em cada animal, mas é transmitido por células cancerígenas que
passam de um peixe para outro.
A notícia é do R7. A descoberta foi feita por
pesquisadores da Universidade de Vermont após anos investigando manchas e
nódulos escuros observados desde 2012 em peixes do Lago Memphremagog, na divisa
entre Canadá e Estados Unidos. Atualmente, cerca de um terço dos bagres que
vivem no local apresenta as lesões, que inicialmente levantaram suspeitas de
contaminação ambiental ou infecção por vírus.
Ao comparar o DNA dos tumores com o dos peixes
infectados, a equipe constatou que as células cancerígenas eram geneticamente
mais parecidas entre si do que com os próprios hospedeiros. Segundo os
pesquisadores, essa é a principal evidência de que o câncer é clonal e
transmissível, ou seja, as próprias células do tumor funcionam como um agente
infeccioso, semelhante a um parasita.
A pesquisa é liderada por Julie Dragon, do Centro de
Câncer da Universidade de Vermont, e por Mark Henderson, da Escola Rubenstein
de Meio Ambiente e Recursos Naturais. Segundo Dragon, apenas outros três tipos
de câncer transmissível haviam sido identificados na natureza: em cães, nos
diabos-da-tasmânia e em moluscos bivalves, como mexilhões e mariscos. Este é o
primeiro registro do fenômeno em um peixe e também em uma espécie de água doce.

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