Uma declaração de Sérgio Gabrielli, ex-presidente da
Petrobras e atual coordenador do programa de governo da campanha de reeleição
de Lula, gerou ruído entre representantes do mercado financeiro na Faria Lima e
obrigou o Ministério da Fazenda a entrar em ação para conter os danos. Em
conversas de bastidores, Gabrielli teria mencionado a possibilidade de medidas
de controle de capitais — tema sensível para investidores e para a imagem de
responsabilidade fiscal que o governo tenta projetar.
Segundo a colunista Adriana Fernandes, da Folha, o
ministro Dario Durigan, substituto de Fernando Haddad no comando da Fazenda,
atuou como "bombeiro" para apagar o incêndio, afirmando publicamente
que o governo não pretende adotar controle de capitais e prometendo
"melhorar o fiscal, custe o que custar". A fala fez parte de um
esforço para reforçar o compromisso com a contenção de despesas obrigatórias.
O episódio, batizado de "efeito
Gabrielli", expõe a dificuldade do Palácio do Planalto em alinhar o
discurso econômico entre técnicos do governo e coordenadores políticos da
campanha, especialmente em um momento de alta sensibilidade fiscal, marcado
pela crise do tarifaço americano e pela proximidade da eleição de outubro.

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