O caso da mulher de 37 anos presa após fingir ser
uma adolescente de 12 anos continua revelando novas vítimas. Uma mulher de
Curitiba contou ao ND Mais que foi enganada por cerca de 10 meses, em 2021, por
Amanda Maria Souza de Oliveira. Na época, a mulher se apresentava como “Emily”,
uma menina de 13 anos em tratamento contra um câncer terminal.
Segundo a vítima, que pediu para não ser
identificada, Amanda dizia estar internada em um hospital de Brasília e
afirmava enfrentar uma série de dramas pessoais. A falsa adolescente alegava
sofrer de câncer, dizia ter sido abandonada pelo pai e relatava sucessivos
episódios trágicos envolvendo a própria família.
Na época, a mulher conta que estava profundamente
abalada pela morte da cunhada, vítima da Covid-19, enquanto a sobrinha
enfrentava um período delicado também por conta da doença. Foi nesse contexto
que Amanda, usando a identidade falsa de “Emily”, se aproximou dela.
“Ela dizia que tinha 13 anos, que estava morrendo de
câncer e perguntou se eu podia ser madrinha dela. Falava que queria ser
batizada para entrar no céu, porque estava morrendo”, contou.
Segundo a mulher, a história criada por Amanda ficou
cada vez mais elaborada ao longo dos meses. No início, ela dizia estar
internada em um hospital de Brasília, em tratamento contra um câncer. Dizia que
vivia apenas com a mãe, que dedicava a vida integralmente aos seus cuidados, e
afirmava sentir culpa pela situação.
A narrativa evoluiu quando Amanda passou a contar
que a mãe havia conseguido localizar o pai biológico, que até então não fazia
parte de sua vida. Segundo a versão apresentada, ele a teria reconhecido
oficialmente e descoberto ser compatível para um transplante de medula óssea.
A história mobilizou emocionalmente a vítima. “Eu
andei 15 quilômetros pagando uma promessa pela pega da medula”, relembrou.
Com o passar do tempo, porém, os relatos ficaram
ainda mais dramáticos. Amanda passou a afirmar que a mãe havia sofrido um
acidente e morrido durante uma cirurgia. Depois disso, dizia que passou a viver
sob os cuidados do pai, que não aceitava suas práticas religiosas e a agredia.
Em seguida, contou que o homem teria tirado a própria vida após ser internado
em um hospital psiquiátrico.
As tragédias não paravam por aí. Segundo a mulher,
Amanda também relatava ter sido vítima de violência sexual dentro do hospital,
que o câncer havia retornado e que precisou amputar um dos braços por causa da
doença. “Tudo acontecia com ela e ela não morria. Ela rezava ao vivo com a
gente em um grupo de oração”, contou.
O envolvimento foi tão intenso que passou a fazer
parte da rotina da mulher enganada.
“Eu acordava às três horas da manhã para rezar por
ela. Eu me peguei muito envolvida. A gente gravava vídeo para ela com as irmãs
do grupo de oração, fazia cartazes, gravava vídeo e áudio de bom dia, de boa
noite, o dia do meu aniversário, ela me gravou uma música, ela fez postagens de
meia em meia hora. Era surreal”, afirmou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário