Felipe Salustino
Repórter
No próximo mês de junho, o Porto de Natal fará um
embarque-teste de gado vivo, com o envio de 3.300 animais para o Líbano. De
acordo com a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Docas), empresa que
administra o terminal potiguar, o transporte está previsto para acontecer entre
os dias 24 e 25.
Segundo o secretário Guilherme Saldanha, da
Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Sape), a expectativa é de que, após o
primeiro embarque, as exportações dos animais vivos sejam liberadas pelo
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com projeção de injetar até R$ 1
bilhão ao ano na economia potiguar.
A autorização para o embarque chega em um momento de
ampliação das exportações de gado vivo no Brasil, com alta de 5,53% no ano
passado. Apesar do interesse do mercado internacional, o Rio Grande do Norte
encarava obstáculos para as vendas ao mercado exterior. As dificuldades estavam
relacionadas a questões burocráticas e de certificação do Porto de Natal.
Segundo Guilherme Saldanha, todos os entreves já foram superados. “Era
necessário autorização para o embarque e também um operador portuário
habilitado, mas todas as questões foram superadas”, falou.
Agora, todas as atenções estão voltadas para o
embarque. “Nossa perspectiva é muito boa. A gente acredita muito que esse negócio
irá se consolidar no Rio Grande do Norte, como já acontece no Pará, em São
Paulo e no Rio Grande do Sul. Existe um mercado gigante nos países do Norte da
África, e também no Oriente Médio, que estão interessados nesses animais para
abate”, afirmou o secretário.
Atualmente o Rio Grande do Norte dispõe de duas
Estações de Pré-Embarque (EPE) devidamente registradas no Ministério da
Agricultura. As EPEs são estruturas fundamentais para a operação. Uma delas, de
acordo com Guilherme Saldanha, está localizada no Distrito de Irrigação do
Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, e a outra, em São Gonçalo do Amarante,
a cerca de 50 quilômetros de Natal. É de lá que sairão os animais para o
embarque-teste.
As estações são os locais onde o gado fica em
quarentena antes da operação. “São espaços de confinamento. Os animais ficam
isolados, recebendo ração, água e acompanhamento de um veterinário. O período
de isolamento depende do destino para onde vai o gado, já que cada país
estabelece um prazo para a quarentena”, explica o secretário. Se não houver
intercorrências, como a identificação de doenças durante o confinamento, o
embarque é liberado.
Segundo Saldanha, para cada EPE foram investidos
cerca de R$ 3,4 milhões para tornar os espaços adequados às exigências do MAPA.
“Cada empresário fez o próprio investimento. Estamos com bastante expectativa
de que tudo vai correr bem na operação do embarque-teste. O Brasil hoje é
responsável por exportar cerca de um milhão e meio de cabeças de gado. Esse
número só não é maior por falta de portos com condições e vagas para a entrada
de navios”, diz.
“Este é um negócio que gira em torno de R$ 9 bilhões
no País, e nós temos a intenção de abocanhar um pedaço desse mercado, com a
expectativa de atingir 10% dele. Isso significa que teremos algo em torno de R$
900 milhões a R$ 1 bilhão na economia potiguar por ano”, pontou Saldanha.
De acordo com a Codern, todas as etapas da operação
e instalações serão acompanhadas presencialmente por técnicos da Vigilância
Agropecuária Internacional (Vigiagro), do MAPA, a fim de definir se haverá
necessidade de “fazer alguma adequação” posteriormente.

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