terça-feira, 26 de maio de 2026

Micro e pequenas empresas na mira: 70% dos empregos formais estão onde o impacto será maior

 


Quando se fala em "empresas" no debate da PEC 6x1, a imagem mental é de grandes corporações com departamentos de RH e margens confortáveis. A realidade brasileira é outra: 70% dos empregos com carteira assinada no país estão em micro, pequenas e médias empresas, segundo dados do Sebrae. São padarias, oficinas mecânicas, salões de beleza, restaurantes, lojas de bairro — negócios que operam seis ou sete dias por semana com equipes enxutas e margens que raramente ultrapassam 10%.

Para esses empreendedores, a obrigatoriedade de dois dias de folga semanais sem redução salarial significa, na prática, um dilema sem solução fácil: contratar mais gente que não podem pagar, reduzir o horário de funcionamento e perder receita, ou fechar.

A FecomercioSP calculou que o custo do trabalho subiria 22% para as empresas, considerando a manutenção do salário com redução de horas. Para um restaurante de bairro em Natal que emprega oito funcionários e fatura R$ 60 mil por mês, com margem líquida de 8%, isso pode significar um aumento de R$ 8 mil a R$ 10 mil mensais na folha — praticamente o lucro inteiro do negócio.

O relatório de Leo Prates não prevê nenhum mecanismo de compensação para pequenas empresas. Não há desoneração de folha acoplada à PEC. Não há ampliação do teto do Simples Nacional. Não há tratamento diferenciado por porte ou setor. A mesma regra que valerá para uma multinacional com 10 mil funcionários valerá para o MEI que emprega um ajudante.

Os empresários tentaram. Uma comitiva liderada pela FecomercioSP foi a Brasília em 12 de maio pedir quatro medidas: vinculação da redução a acordos coletivos, transição de dez anos, tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas e aumento do teto do Simples. Hugo Motta respondeu que "não dá mais para segurar" a votação. As quatro demandas foram ignoradas no texto final.

O que sobra é a aritmética: se o custo sobe e a receita não acompanha, alguém paga. E nos pequenos negócios, quem paga primeiro é o funcionário — com a demissão. Depois, o consumidor — com o preço. E por último, o próprio dono — que fecha.

 

 

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