Prefeitos Marianna Almeida (Pau dos
Ferros) e Luis Sabino Neto (Apodi). Foto: Reprodução/Instagram
A investigação da Polícia
Federal que mira o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União
Brasil) avançou para outras prefeituras do Oeste potiguar. Gravações obtidas
pela PF mostram sócios da empresa Dismed discutindo contratos, “comissões de
15%” e licitações em Apodi e Pau dos Ferros, administrados por aliados políticos
do pré-candidato ao Governo do RN.
Conforme divulgado pelo Blog
do Dina nesta sexta-feira (15), em uma das gravações, o
representante comercial Sidney Carlos de Melo informa aos sócios da Dismed:
“Chega mais outra de Apodi hoje”; “Vai mandar faturar mais uns oitenta mil
reais”; e “O resto do saldo do contrato”.
Na sequência, os investigados discutem supostas
“comissões de 15%”. Segundo a PF,
os valores pagos pelas prefeituras seriam “fracionados” e retornariam “na forma
de comissões/propinas”.
Um dos investigados afirma que determinado gestor
“gosta mais de papel”. Para a PF, o termo seria usado como referência a
pagamentos sem entrega efetiva de medicamentos — o chamado “papel cagado”.
As conversas fazem parte da investigação que levou
à Operação
Mederi, autorizada pelo juiz Rogério Fialho Moreira.
Licitação “preparada” em Pau dos Ferros
A PF também anexou uma conversa sobre uma licitação
em Pau dos Ferros. No áudio, o representante da empresa
afirma: “Preparada aqui a licitação de Pau dos Ferros”; “Botando os
controlados no meio dos lotes”; e “A gente engole ele”.
A estratégia seria dificultar a participação de
empresas menores em licitações de medicamentos. Ainda de acordo com a gravação,
a Dismed teria ficado com cerca de 85% da licitação e o valor citado
ultrapassaria R$ 700 mil.
O sistema das “caronas”
A PF identificou o uso de atas de registro de preços
para adesões entre municípios — conhecido como “carona”. Em áudio
recuperado do WhatsApp da Drogaria Mais Saúde, empresa ligada ao mesmo grupo,
um representante oferece adesão pronta a atas; fornecimento sem necessidade de
nova licitação e “parceria bacana” com gestores municipais.
Outro investigado chega a afirmar: “Toda carona
você tem o seu”. Para a Polícia Federal, a frase indica expectativa de
pagamento de vantagens indevidas em cada adesão.
Contratos milionários
A investigação aponta contratos da Dismed em Apodi
entre 2023 e 2025 que somam pelo menos R$ 1,33 milhão. Já em Pau dos
Ferros, a Dismed venceu lotes que ultrapassam R$ 969 mil.
A PF afirma que encontrou documentos de licitações;
fotos de processos municipais; atas e contratos;
arquivos compartilhados entre Dismed e Drogaria Mais Saúde. Os materiais
estavam em computadores apreendidos na operação.
Apoio político a Allyson
Os prefeitos Marianna Almeida (Pau dos Ferros) e
Luis Sabino Neto (Apodi) declararam apoio público à pré-candidatura de Allyson
Bezerra ao Governo do RN em 2026.
O ex-prefeito de Apodi Alan Silveira também rompeu
com o governo estadual e anunciou apoio ao grupo de Allyson. Segundo a
reportagem, parte dos contratos investigados foi assinada durante as gestões de
Alan Silveira e Sabino Neto.
Operação segue em andamento
A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia
Federal em janeiro de 2026. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos
contra sócios da Dismed; aliados políticos; o então
prefeito Allyson Bezerra e integrantes da gestão municipal.
Até o momento, a PF não divulgou denúncia formal nem
condenação dos investigados.

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