O quadro Andreazza Reage desta quinta-feira, 16,
trata sobre o discurso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na
cerimônia de posse de José Guimarães como ministro da articulação política do
governo Lula. Segundo o colunista Carlos Andreazza, houve uma “operação abafa”
dos Poderes contra o caso Master.
A solenidade ocorreu na última terça-feira, 14,
horas antes de a CPI do Crime Organizado rejeitar o relatório do senador
Alessandro Vieira (MDB-SE) que pedia o indiciamento, com encaminhamento para
análise de abertura de processo de impeachment, dos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do
procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Estamos vivendo uma agressão permanente às
instituições republicanas”, disse Alcolumbre na cerimônia. “Estão todos
passando dos limites institucionais”, acrescentou o presidente do Senado, em
discurso em defesa do Supremo.
“Qual é a ofensa, qual é a agressão contra as
instituições? Existe a corrupção da linguagem, e a corrupção xandônica da
linguagem. Alcolumbre já está na fase da perversão do verbo atacar, do verbo
agredir, do trabalho da imprensa, no fim das contas”, disse o colunista.
“Que o governo Lula não reclame quando seus
adversários explorarem isso politicamente. Depois disso aí, houve o
empastelamento do relatório do senador Alessandro Vieira na CPI do Crime
Organizado”, afirmou Andreazza. “Cochichavam ali Lula e Alcolumbre sobre como
fariam a blitz, regimental, tudo legal, tudo dentro da regra do Parlamento”,
acrescentou.
O relatório da CPI foi barrado depois de a base do
governo ter se articulado para mudar três integrantes do colegiado para
conseguir uma maioria contrária ao texto. A manobra ocorreu após ministros do
STF pressionarem o governo e o Senado contra o parecer.
“Deram as mãos Supremo, governo e Alcolumbre,
presidente do Congresso, e fecharam o ‘estreito de Ormuz’ da República
brasileira para as investigações. Não passa nada”, afirmou o colunista.
Carlos Andreazza - Estadão

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