O crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, a
rejeição de 48% no Datafolha e o empate técnico no segundo turno acenderam um
debate que até pouco tempo era tabu no PT: e se Lula não for candidato? O
partido nega publicamente, mas dirigentes já admitem nos bastidores que a
discussão existe.
Três nomes concentram as atenções. O favorito é
Camilo Santana, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, testado em
pesquisas internas e forte no Nordeste, região decisiva para o PT. O segundo é
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, que segundo analistas já tem intenção
de voto próxima à de Lula com 10% a menos de rejeição. O terceiro é o vice
Geraldo Alckmin, candidato natural caso a desistência viesse após a convenção.
Todos têm limitações claras. Camilo é desconhecido
fora do Nordeste. Haddad carrega o peso da derrota de 2018. Alckmin é do PSB
com DNA tucano tentando liderar uma base de esquerda. E nenhum dos três
conseguiria manter sozinho a coalizão com MDB, PSD, PP e União Brasil,
construída inteiramente ao redor da figura pessoal de Lula.
Mas, sendo franco: não acredito que Lula desista. Um
homem que foi preso, teve candidatura cassada, viu o partido quase destruído e
mesmo assim voltou para vencer em 2022 não recua por causa de pesquisa. O
pacote de R$ 403 bilhões em bondades, os R$ 20 bilhões no Minha Casa Minha
Vida, a agenda internacional com Alckmin: tudo isso é ação de candidato, não de
presidente preparando saída. Como resumiu um petista ao PlatôBR: "Quem
acha que Lula aceitaria ser substituído, não conhece a figura que ele é."

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