Os Correios acabam de renovar um recorde negativo. A
empresa estatal encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, 226% superior
ao de 2024. São 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. No ano de
2025, a receita bruta caiu 11,35%, para R$ 17,3 bilhões.
Com um rombo de tamanha magnitude, resta evidente
que o plano de reestruturação anunciado no fim do ano passado para que os
Correios tentem sair do buraco em que se meteram, e que só se aprofunda, passa
longe de resolver os graves problemas da empresa.
Um dos pilares desse plano, o Programa de Demissão
Voluntária (PDV), teve adesão de apenas 3.748 funcionários, muito abaixo da
meta estabelecida pela empresa, de desligar 10 mil funcionários, um evidente
fracasso.
Ainda assim, o presidente dos Correios, Emmanoel
Rondon, afirmou que a adesão não foi baixa, uma vez que a meta era desafiadora.
“O plano traz essa flexibilidade, não é rígido. O plano prevê que para cada
ação a gente faz um balanço, enxerga o resultado e adota ou não outra ação
complementar”, afirmou.
Ora, é inaceitável que uma empresa inchada como os
Correios, com um rombo que só cresce, e completamente defasada em relação às
concorrentes privadas, se dê ao luxo, a esta altura dos acontecimentos, de
adotar planos ineficientes como o atual, que envolve, além do PDV, a venda de
imóveis e a reestruturação de linhas de entrega.
Além de não atacarem a real questão, que é o papel
que uma empresa de entregas deve ter em pleno século 21, tais medidas exigem
tempo para surtir algum resultado. E tempo é algo de que os Correios não
dispõem.
Há ainda a questão da dívida de R$ 12 bilhões que os
Correios contraíram recentemente com bancos públicos e privados, recursos
tomados a juros altos e que estão sendo consumidos com o pagamento de despesas
básicas, entre outros.
Com um patrimônio líquido negativo em R$ 13,1
bilhões, os Correios distanciam-se cada vez mais daquela que seria a solução
mais adequada para a dificílima situação na qual se encontram: a privatização.
Hoje, contudo, a transferência dos Correios para a
iniciativa privada parece impensável não só porque o governo de Luiz Inácio
Lula da Silva tem verdadeira ojeriza a privatizações, mas porque dificilmente
haveria um interessado em comprar os Correios, mesmo que por valor simbólico,
no estado calamitoso no qual a estatal se encontra.
Por isso mesmo, é necessário um plano realmente
efetivo para redução do rombo da empresa, de modo que ela se torne minimamente
interessante para uma eventual aquisição privada. Do contrário, o abismo dos
Correios só crescerá, tornando ainda pior o que já é extremamente ruim.
Porém, não há no horizonte nenhum sinal de que o
governo Lula tenha um plano estratégico sólido para a estatal. Muito pelo
contrário. A gestão petista segue valendo-se da desculpa da universalização dos
serviços dos Correios em todo o território nacional, prevista na Constituição,
para manter a empresa tal como ela está hoje – prestando-se mais a empregar
apaniguados petistas do que para entregar cartas.
Opinião do Estadão

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