terça-feira, 28 de abril de 2026

Opinião do Estadão: A agonia dos Correios

 


Os Correios acabam de renovar um recorde negativo. A empresa estatal encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, 226% superior ao de 2024. São 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. No ano de 2025, a receita bruta caiu 11,35%, para R$ 17,3 bilhões.

Com um rombo de tamanha magnitude, resta evidente que o plano de reestruturação anunciado no fim do ano passado para que os Correios tentem sair do buraco em que se meteram, e que só se aprofunda, passa longe de resolver os graves problemas da empresa.

Um dos pilares desse plano, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), teve adesão de apenas 3.748 funcionários, muito abaixo da meta estabelecida pela empresa, de desligar 10 mil funcionários, um evidente fracasso.

Ainda assim, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a adesão não foi baixa, uma vez que a meta era desafiadora. “O plano traz essa flexibilidade, não é rígido. O plano prevê que para cada ação a gente faz um balanço, enxerga o resultado e adota ou não outra ação complementar”, afirmou.

Ora, é inaceitável que uma empresa inchada como os Correios, com um rombo que só cresce, e completamente defasada em relação às concorrentes privadas, se dê ao luxo, a esta altura dos acontecimentos, de adotar planos ineficientes como o atual, que envolve, além do PDV, a venda de imóveis e a reestruturação de linhas de entrega.

Além de não atacarem a real questão, que é o papel que uma empresa de entregas deve ter em pleno século 21, tais medidas exigem tempo para surtir algum resultado. E tempo é algo de que os Correios não dispõem.

Há ainda a questão da dívida de R$ 12 bilhões que os Correios contraíram recentemente com bancos públicos e privados, recursos tomados a juros altos e que estão sendo consumidos com o pagamento de despesas básicas, entre outros.

Com um patrimônio líquido negativo em R$ 13,1 bilhões, os Correios distanciam-se cada vez mais daquela que seria a solução mais adequada para a dificílima situação na qual se encontram: a privatização.

Hoje, contudo, a transferência dos Correios para a iniciativa privada parece impensável não só porque o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem verdadeira ojeriza a privatizações, mas porque dificilmente haveria um interessado em comprar os Correios, mesmo que por valor simbólico, no estado calamitoso no qual a estatal se encontra.

Por isso mesmo, é necessário um plano realmente efetivo para redução do rombo da empresa, de modo que ela se torne minimamente interessante para uma eventual aquisição privada. Do contrário, o abismo dos Correios só crescerá, tornando ainda pior o que já é extremamente ruim.

Porém, não há no horizonte nenhum sinal de que o governo Lula tenha um plano estratégico sólido para a estatal. Muito pelo contrário. A gestão petista segue valendo-se da desculpa da universalização dos serviços dos Correios em todo o território nacional, prevista na Constituição, para manter a empresa tal como ela está hoje – prestando-se mais a empregar apaniguados petistas do que para entregar cartas.

Opinião do Estadão

 

 

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