A Novonor, empresa anteriormente conhecida como
Odebrecht e pivô do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, assinou
nesta segunda-feira (20) o contrato de venda do controle da Braskem para o
fundo Shine I, assessorado pela gestora IG4 Capital. A operação envolve 50,1%
das ações ordinárias e 34,3% do capital total da petroquímica.
O negócio põe fim a uma novela de sete anos. Desde
os desdobramentos da Operação Lava Jato, que revelou um esquema bilionário de
propinas envolvendo a então Odebrecht, o grupo tentava se desfazer da
participação na Braskem como parte de sua recuperação judicial. A venda era
considerada a peça central para viabilizar o pagamento de credores e encerrar o
processo de reestruturação do conglomerado que já foi o maior grupo de
engenharia da América Latina.
A IG4 Capital, gestora global especializada em situações
especiais, já havia obtido aprovação do Cade em março, após mais de 70 dias de
análise. Com a conclusão da operação, a governança da Braskem será dividida
entre o fundo Shine I e a Petrobras, que detém 47% do capital votante. As duas
partes firmarão um novo acordo de acionistas, e a gestora já anunciou planos de
recrutar executivos de mercado para liderar a reestruturação financeira e
operacional da empresa, que encerrou 2025 com US$ 9,4 bilhões em dívidas e
queimou R$ 5,87 bilhões em caixa no ano passado.
O capítulo que se fecha é simbólico. A Odebrecht,
rebatizada de Novonor em 2020 numa tentativa de se distanciar do passado, foi o
epicentro da Lava Jato, pagou a maior multa por corrupção da história e
arrastou governos e empresas de mais de dez países para a Justiça. Agora, com a
venda da Braskem, a empresa conclui a última grande operação de desinvestimento
daquele período. A Novonor permanecerá com apenas 4% do capital da Braskem, sem
direitos de governança. É o ponto final de um império.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros.

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