O Palácio do Planalto não digeriu a derrota. Segundo
apuração do Poder360 e do Valor Econômico, o governo Lula já iniciou
um pente-fino minucioso em cargos ocupados por indicações do União
Brasil, MDB e PSD — os três partidos que, na avaliação do Planalto, foram
responsáveis pelas "traições" que levaram à rejeição de Jorge Messias
ao STF.
O alvo principal é Davi Alcolumbre. O presidente do
Senado, que desde o início resistiu à indicação de Messias, é visto pelo
governo como o grande arquiteto da derrota. Nos bastidores, aliados de Lula já
falam abertamente em rompimento consumado entre o presidente e o
senador do Amapá.
A retaliação, porém, não será imediata. O governo
optou por um caminho calculado: primeiro mapear quem traiu, depois agir. O foco
está em posições estratégicas em agências reguladoras, estatais e cargos de
segundo e terceiro escalão indicados por parlamentares que votaram contra
Messias.
O problema é o timing. Em pleno ano eleitoral,
retaliar Alcolumbre — que controla a pauta do Senado — pode custar ainda mais
caro a Lula, que precisa da Casa para aprovar qualquer nova indicação ao STF e
outras matérias prioritárias. O governo caminha numa corda bamba entre a
necessidade de dar uma resposta política e o risco de aprofundar a crise.

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