Uma ex-assessora do ministro Marco Buzzi denunciou
ao Conselho Nacional de Justiça uma rotina marcada por medo e
episódios de assédio sexual dentro do gabinete no Superior Tribunal de
Justiça. O depoimento, colhido após as primeiras denúncias virem à tona,
descreve situações recorrentes de importunação durante o período em que a
servidora trabalhava diretamente com o magistrado.
Segundo o relato, teriam ocorrido ao menos oito
episódios de assédio. A ex-servidora afirmou que, por abrir o gabinete
diariamente, ficava sozinha com o ministro por cerca de duas horas — intervalo
em que, segundo ela, aconteceram parte dos casos. Em um dos episódios, relatou
ter sido levada à despensa sob um pretexto administrativo, momento em que teria
sofrido atos de cunho sexual sem consentimento.
As denúncias ganharam força após a convocação de
outras pessoas que atuavam no gabinete. De acordo com o andamento do caso,
testemunhas ouvidas confirmaram pontos apresentados pela ex-assessora,
reforçando os indícios analisados pelo CNJ. O caso veio a público inicialmente
por meio de reportagem da jornalista Adriana Araújo.
Na esfera criminal, a Procuradoria-Geral da
República se manifestou a favor da abertura de inquérito. A decisão final
cabe ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.
Paralelamente, o STJ deve analisar a abertura de processo administrativo
disciplinar contra Buzzi.
O ministro já está afastado cautelarmente desde
fevereiro, também em razão de outra denúncia de assédio. Em nota, a defesa
contestou o vazamento das informações e afirmou que a divulgação do conteúdo
fere o sigilo das investigações.

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