A deputada estadual Cristiane Dantas (SDD) utilizou
a tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para manifestar
indignação diante de um caso que voltou a repercutir no estado e para defender
mudanças na legislação que tratem com mais rigor situações envolvendo agentes
de segurança acusados de crimes graves.
Durante o pronunciamento, a parlamentar relembrou o
caso da jovem Zaira Cruz, morta em 2019, cujo autor, Pedro Inácio, foi julgado
e preso, mas posteriormente obteve progressão para o regime semiaberto. Segundo
a deputada, além da progressão de regime, o acusado também teria recebido
promoção nos quadros da Polícia Militar, com manutenção de salário, situação
que classificou como inaceitável.
“Isso não apenas nos choca, mas revolta toda a
sociedade. Não é admissível que alguém condenado por um crime tão brutal possa
ser beneficiado com progressão e ainda receber promoção dentro da corporação”,
afirmou.
A parlamentar defendeu uma revisão na legislação
vigente para impedir que policiais acusados ou condenados por crimes dessa
natureza sejam promovidos enquanto ainda estiverem sendo julgados. “É
fundamental que a legislação seja revista para suspender esse tipo de direito.
Não podemos permitir que pessoas nessa condição avancem na carreira como se
nada tivesse acontecido”, disse.
No discurso, Cristiane Dantas também ampliou o
debate ao citar outros casos recentes de violência envolvendo agentes de
segurança em diferentes estados do país. Ela mencionou um episódio ocorrido em
fevereiro, em São Paulo, no qual uma policial foi encontrada morta com um tiro
na cabeça, inicialmente tratado como suicídio, e outro caso registrado no
Espírito Santo, onde uma mulher foi morta pelo companheiro, um policial
federal.
Para a deputada, os casos revelam um problema
estrutural que precisa ser enfrentado com mais firmeza. “São mulheres com
sonhos, carreiras, filhos e famílias que estão perdendo a vida para aqueles que
deveriam protegê-las. Até quando vamos continuar assistindo a esse tipo de
notícia?”, questionou.
A parlamentar reforçou a necessidade de ampliar o
debate sobre a violência de gênero dentro das corporações policiais e defendeu
ações contínuas de conscientização e mudança cultural. “É preciso discutir cada
vez mais esse tema, inclusive dentro das forças de segurança, para que esses
homens parem de cometer esse tipo de crime. É uma mudança cultural urgente e
necessária”, concluiu.

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