Os desembargadores do Tribunal de Justiça do
Maranhão descobriram nesta semana que o presidente da Corte, Froz Sobrinho,
transferiu R$ 2,8 bilhões de depósitos judiciais para o Banco de Brasília
(BRB).
Emparedado pelas críticas, o desembargador afirmou
que a decisão foi exclusivamente sua e que assume integralmente os riscos da
aplicação. Segundo ele, a transferência garantiu um rendimento mensal de R$ 15
milhões, valor cinco vezes superior aos cerca de R$ 3 milhões pagos pelo Banco
do Brasil, de onde os recursos foram retirados.
A controvérsia se intensificou diante do histórico
recente do BRB, que entrou na mira da Polícia Federal após realizar aportes no
Banco Master e tentar adquirir a instituição, posteriormente liquidada pelo
Banco Central por fraude bancária. A coluna Andreza Matais procurou o
presidente do TJ para questionar se os valores foram parar em fundos do Master,
mas o desembargador não respondeu.
No dia 28 de janeiro, o presidente do TJ convocou
uma reunião com os desembargadores para explicar a aplicação e dividir a
responsabilidade pela mudança. A tentativa terminou em bate-boca.
Durante o encontro, o desembargador Paulo Sérgio
Velten Pereira interrompeu a exposição e criticou duramente a condução do
processo. Disse considerar indevida a convocação, ressaltou que a decisão não
foi submetida ao colegiado e afirmou que não se sentia responsável por uma
medida que classificou como “gravíssima”.
“Com todo respeito, considero indevida essa
convocação no tribunal para tratar desse tema agora, porque a decisão dessa migração
foi exclusiva de Vossa Excelência. Ela não foi submetida ao colegiado. Não me
sinto responsável por essa decisão. Foi uma decisão gravíssima e agora vamos
dividir a responsabilidade?”, afirmou Pereira.
“Não é gravíssima, não. Estou convidando, não convocando”,
disse o presidente do TJ, ao se referir à reunião destinada a explicar a
aplicação.
“Eu estou fora, já aviso que estou fora”, rebateu
Pereira.
Metrópoles
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