O Rio Grande do Norte registrou a maior queda no
varejo entre os estados da região Nordeste e o segundo pior desempenho no
Brasil. Em janeiro, o Índice do Varejo Stone Restrito do RN apresentou uma
diminuição de -7,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O
desempenho do estado potiguar só não foi pior do que o registrado no Rio Grande
do Sul, que teve retração de -10,2%.
De acordo com o índice, todos os estados da
federação registraram queda em janeiro, com exceção do Amapá, que cresceu 2,9%.
As menores variações negativas ocorreram no Maranhão (-0,1), Pará (-0,4%),
Piauí (-1,0) e Roraima (-1,1%). As maiores quedas, além de RN e RS, foram
registradas no Amazonas (-7,3%), Santa Catarina (-6,5%), São Paulo e Distrito
Federal (-6,4%) e Espírito Santo (-6,2%).
Os dados são do último relatório da Stone sobre o
mercado varejista brasileiro. Na pesquisa, termo “restrito” significa que são
excluídos do levantamento os segmentos de materiais de construção, veículos e
peças e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo
(Atacarejo).
O economista Ricardo Valério, superintendente do
Conselho Regional de Economia (Corecon/RN), aponta que o resultado do Rio
Grande do Norte seguiu uma tendência nacional de queda no varejo. O cenário é
comum no mês de janeiro, período em que os consumidores diminuem os gastos para
arcarem com despesas relativas às festas de fim de ano.
De acordo com o relatório da Stone, no panorama
nacional o índice restrito recuou -0,9% em janeiro, na comparação mensal. Já na
comparação anual, ante janeiro do ano passado, a queda foi mais acentuada, de
-5,6%.
“O varejo do Rio Grande do Norte está dentro do
mesmo cenário nacional, onde foi observado que a queda deste ano ocorreu de
forma generalizada e em todos os segmentos comerciais, alcançando os setores do
combustível, farmácia, vestuários e calçados”, aponta o superintendente do
Corecon/RN.
Além da necessidade de equilíbrio nas despesas,
fatores macroeconômicos favoreceram o cenário de retração no varejo. Ricardo
Valério destaca que a taxa Selic em 15%, além do endividamento das famílias
deixaram o consumidor mais seletivo. Ademais, alguns gastos comuns no início do
ano, a exemplo do pagamento de tributos como IPVA e IPTU, pressionaram ainda mais
o orçamento das famílias.
O relatório da Stone traz uma análise semelhante,
destacando o mercado de crédito como fator predominante para o menor desempenho
do varejo. “Com juros reais elevados, o endividamento das famílias e o
comprometimento de renda com o serviço da dívida seguem pressionando o
consumo”, aponta o documento.
No desempenho por setor, em todo o país apenas o
segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo
registrou variação positiva em janeiro, com alta de 1,4%. Ricardo Valério
aponta, contudo, que o setor não deixou de ser atingido, embora com menos
intensidade, com leve redução no faturamento dos supermercados.
Apesar da queda observada neste mês, o
superintendente do Corecon/RN aponta para um cenário de recuperação do segmento
com a desvalorização do dólar frente ao real, queda da inflação e início da
redução gradual da taxa Selic a partir de março deste ano. Além disso, a
isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5
mil, que entrou em vigor neste ano, deve favorecer o maior incremento de
recursos na economia.
“O varejo potiguar brilhou em 2025, sempre acima da
média nacional. Acreditamos que teremos um bom desempenho em 2026, pois o
comércio do Rio Grande do Norte e o setor de serviços continua latente e
responsável por mais de 72% da nossa economia. A recuperação do varejo já deve
ocorrer a partir do segundo semestre deste ano”, completa Ricardo Valério.

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