De onde veio o dinheiro do ministro Dias Toffoli, do
Supremo Tribunal Federal (STF), para investir em resorts avaliados em mais de
R$ 400 milhões, com um irmão padre e um irmão engenheiro, após ter ficado as
últimas duas décadas sujeito ao teto constitucional, atualmente de R$ 46 mil? A
indagação é feita País afora e reforçada pelo advogado Edgard Hermelino Leite
Junior, com experiência em grandes processos do setor financeiro. Desde 2007,
Toffoli auferiu cerca de R$ 8 milhões, da remuneração oficial com base no
limite fixado na Constituição.
“Quando um empreendimento imobiliário-hoteleiro de
grande porte surge formalmente vinculado a uma empresa de capital modesto,
composta por sócios sem histórico empresarial compatível com investimentos
milionários, a pergunta não é política, nem ideológica. De onde veio o
dinheiro?”, indagou o advogado à Coluna do Estadão. E acrescentou:
“A pergunta não ofende. O que ofende é fingir que
ela não existe. Quanto maior o cargo de uma autoridade, maior o dever de
prestar contas. A Constituição é clara: todos são iguais perante a lei. Não há
cláusula de exceção para ministros. Quem julga deve aceitar ser escrutinado com
o mesmo rigor que aplica aos demais”.
De 2007 a 2009, Toffoli foi advogado-geral da União.
Desde então, ocupa o cargo de ministro do Supremo. Nessas duas décadas, Toffoli
tem salários submetidos ao teto constitucional. Esse montante somado no
período, que considera apenas o pagamento do teto, equivale a cerca de R$ 8
milhões de remuneração, em valores nominais, segundo um levantamento da Coluna
em dados públicos.
Na prática, o ministro pode ter recebido um pouco
mais, porque nesse período houve pagamentos de verbas extra-teto, como férias e
outros auxílios. Mas nada que signifique cifras milionárias.
Em 2007, o teto era de R$ 24,5 mil mensais, ou R$
294 mil por ano. O valor foi subindo ao longo dos anos. Passou, por exemplo,
para R$ 33,7 mil em 2015 (R$ 404 mil anuais) e R$ 46,3 mil em 2025 (R$ 555 mil
anuais), quantia ainda em vigor.
Resorts ligados a Toffoli são avaliados em mais de
R$ 400 milhões
Como informou o Estadão, os dois resorts da rede
Tayayá, localizados no Paraná, que tinham entre os sócios uma empresa do
ministro de Toffoli, são avaliados em mais de R$ 400 milhões.
A relação financeira entre Toffoli e Vorcaro passa
pelo resort Tayayá. A Maridt, empresa do ministro, vendeu metade de sua
participação societária de R$ 6,6 milhões na incorporadora e na administradora
do hotel para o fundo Arleen que, como revelou o Estadão, tinha o pastor
Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, como único sócio.
Essa cifra de R$ 3,3 milhões foi usada pelo fundo
para comprar sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. Mas o
Arleen não comprou só essa participação. Adquiriu também uma parte do
empreendimento. E declarou em suas demonstrações financeiras ter investido R$
20 milhões no Tayayá.
Ministro admitiu ser sócio anônimo de empresa
Nessa quinta-feira, 12, o magistrado deixou a
relatoria do caso Master na Corte, horas após ter admitido ser sócio anônimo da
Maridt. O fundo e a família Toffoli foram sócios das duas empresas até 2025.
Nos bastidores, tem dito aos pares que acumulou renda quando foi advogado, na
iniciativa privada.
Entre os meses de fevereiro e julho do ano passado,
os irmãos e o primo do ministro e o fundo de investimentos se retiraram da
sociedade para vender suas participações nas empresas ao advogado Paulo
Humberto Barbosa. Hoje, ele é o único sócio e dono do empreendimento. Mesmo sem
participação direta no resort, o ministro ainda frequenta o Tayayá.
A sede da Maridt é a residência do engenheiro José
Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Uma casa de 130 metros quadrados cuja
pintura e o piso estão desgastados pelo tempo sem manutenção.
Foi lá que a mulher de José Eugênio, Cássia Pires
Toffoli, recebeu a reportagem do Estadão e disse: “Moço, dá uma olhada na minha
casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para
arrumar as coisas da minha casa!”. Ela negou saber qualquer informação da
Maridt.
Estadão

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