domingo, 15 de fevereiro de 2026

Superfungo: Secretaria de Saúde publica orientações de prevenção após confirmar primeiro caso de Candida auris no RN

 


A Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) divulgou uma nota técnica com orientações para prevenção e controle de novos casos do "superfungo" Candida auris nas unidades de saúde do Rio Grande do Norte.

O estado confirmou, em janeiro, o primeiro caso do fungo e, desde então, realiza o monitoramento da situação em parceria com o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a pasta, testes recentes identificaram a presença do fungo no leito e na cadeira utilizados pelo paciente, que está internado no Hospital da Polícia Militar, em Natal.

Segundo a secretaria, o paciente segue internado para tratar outra condição clínica e não apresenta sintomas relacionados à contaminação pelo fungo.

Nenhum outro caso foi registrado desde então.

O que é o Candida auris

O Candida auris é um fungo resistente a antifúngicos e associado a surtos em serviços de saúde. Ele é considerado uma ameaça à segurança do paciente.

O fungo tem capacidade de persistir no ambiente hospitalar, colonizar pele e superfícies e se disseminar por por contato, principalmente em ambientes com pacientes críticos e uso de dispositivos invasivos.

Apesar disso, a Sesap destaca que a presença do fungo em um paciente não inviabiliza a assistência, a internação ou a transferência, desde que sejam adotadas medidas rigorosas de prevenção e controle de infecções.

A nota ressalta que não há indicação de isolamento respiratório, suspensão de serviços, fechamento de unidades ou qualquer outra medida excepcional.

Internação e transferências

Entre as orientações, a Sesap determina que pacientes suspeitos ou confirmados devem permanecer sob precauções padrão e de contato durante toda a internação, independentemente do local onde o fungo foi isolado.

A prioridade é acomodação em quarto privativo. Caso não seja possível, deve ser feita a chamada “coorte”, com pacientes portadores do mesmo microrganismo.

A assistência deve seguir normalmente, sem restrição de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos considerados necessários.

Em relação às transferências inter-hospitalares, a nota afirma que elas são permitidas e seguras, desde que haja indicação clínica, comunicação prévia obrigatória entre os serviços e manutenção das precauções durante todo o processo, inclusive no transporte sanitário.

O documento reforça que a presença da Candida auris não pode ser usada como justificativa para negativa de vaga, suspensão de regulação ou recusa de atendimento.

Investigação e rastreio

A confirmação de caso deve desencadear investigação epidemiológica imediata, coordenada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da unidade de saúde, com articulação com a Vigilância Epidemiológica.

A investigação deve incluir identificação do período de internação, setores ocupados pelo paciente, procedimentos realizados, especialmente com uso de dispositivos invasivos, além de mapeamento de movimentações na unidade.

Também é previsto o rastreio de pessoas que tiveram contato com a pessoa infectada, como pacientes que compartilharam quarto ou leito, estiveram no mesmo setor, especialmente em UTI, ou utilizaram equipamentos compartilhados.

No caso de alta hospitalar ou transferência para unidades não hospitalares, o rastreio deve ser articulado com a Vigilância Epidemiológica municipal, para garantir a continuidade da vigilância e prevenir disseminação em outros serviços, como instituições de longa permanência.

A nota técnica detalha ainda como deve ser feita a coleta de amostras para vigilância e diagnóstico.

A secretaria reforçou que o enfrentamento da Candida auris deve ser técnico, proporcional ao risco e livre de estigmatização, sem necessidade de medidas excepcionais ou interrupção dos fluxos assistenciais.

 

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