A Polícia Federal (PF) reexamina perícias de
investigações anteriores com ligações relevantes a Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, após constatar um modus operandi comum e conexões com fundos no
atual inquérito do caso Master. Nesses casos, há repasses milionários ao
entorno familiar do banqueiro e transferências diretas à conta bancária do
empresário.
Os registros integram apuração anterior da
corporação e ajudam a explicar por que a instituição, segundo os
investigadores, voltou a ser alvo na segunda fase da Operação Compliance Zero,
deflagrada em 14 de janeiro deste ano, como medida preventiva.
Conforme apurou a coluna, a Sefer Investimentos DTVM
— antiga Foco DTVM — aparece vinculada, nessas análises periciais, a fluxos de
recursos destinados a companhias controladas por familiares de Vorcaro e ao
próprio banqueiro.
A corretora aparece em material produzido no âmbito
da Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020, que investigou desvios envolvendo
fundos municipais de servidores públicos, como o de Rolim de Moura, pequena
cidade do interior de Rondônia.
O relatório descreve uma engrenagem baseada no uso
de fundos imobiliários e empresas interligadas para a circulação de valores —
dinâmica semelhante à apurada pela PF no caso Master e, por isso, compartilhada
no atual inquérito.
Segundo a perícia, recursos provenientes de dois
fundos então geridos pela Sefer — São Domingos e Monte Carlo —, que integram a
investigação atual da PF sobre o Master, foram direcionados a empresas ligadas
ao núcleo familiar do banqueiro. O primeiro fundo, por exemplo, embora antes
gerido pela Sefer, tem cotas de empresas, entre elas a Zalin Participações,
ligada a Vorcaro.
Entorno de Vorcaro
As empresas que receberam recursos desses dois
fundos também são ligadas a familiares de Vorcaro. Entre elas, a Milo
Investimentos, Mercatto Incorporações, Inter Participações, Prime Business
Participações e SPE Cesto Incorporadora, todas sediadas no mesmo endereço, em
Nova Lima (MG).
Todas as empresas citadas constam na Receita Federal
sob administração do pai (Henrique Vorcaro) e da irmã de Vorcaro (Natália
Vorcaro Zettel). Ambos também foram alcançados pela fase mais recente das
diligências da PF, ainda autorizadas pelo ministro Dias Toffoli, que deixou a
relatoria do caso no STF, agora sob responsabilidade de André Mendonça.
Para investigadores consultados pela coluna, diante
de indícios apontados em análise preliminar e do histórico de fundos geridos
pela Sefer — em dinâmica semelhante à observada com fundos da Reag,
posteriormente liquidada pelo Banco Central —, a corretora passou a integrar o
escopo das investigações.
Fundos
A análise técnica da PF indica que a Milo recebeu
cerca de R$ 64 milhões provenientes dessa cadeia financeira. Já a Mercatto foi
destinatária de mais de R$ 15 milhões em menos de oito meses.
Também foram identificadas três transferências
diretas à conta pessoal de Vorcaro, que somaram aproximadamente R$ 2 milhões em
2017, quando o banqueiro ainda não era amplamente conhecido por suas operações
no mercado financeiro.
As operações foram classificadas pelos
investigadores como atípicas e incompatíveis com a dinâmica usual de
investimentos declarada, em moldes semelhantes aos observados no Caso Master.
Os elementos voltaram ao radar dos investigadores na
atual etapa da Compliance Zero, que apura o possível uso de fundos e estruturas
empresariais para reorganização de fluxos financeiros dentro do ecossistema
ligado ao Master.
Metrópoles

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